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Entrevista – A proteção vem de cima

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Por Daniel Santos

Atenção aos céus, pois a segurança vem do alto. A frase pode ser atribuída às atividades desenvolvidas pelo Serviço Aerotático (SAT) do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado, o Deic. Em 34 anos de existência a unidade de operações atua no combate a crimes contra o patrimônio, roubos a banco, perseguições e até resgastes. Os pelicanos, como são conhecidos os helicópteros do SAT, levam aos céus a experiência dos seus pilotos e tripulação para dar apoio às operações empreendidas pela Polícia Civil do Estado de São Paulo. O delegado da unidade, Dr. Fábio Rodrigues Pimentel, falou à revista Security sobre o trabalho desenvolvido pelo SAT, dificuldades encontradas em operações de combate ao crime e sobre o suporte que o Serviço Aerotático dá aos outro departamentos que compõem o Deic. Acompanhe! 4

A criação do SAT se deu devido à necessidade de apoiar as operações terrestres da PM em roubos a banco?

Como somos ligado a um departamento que tem, entre suas funções, a proteção patrimonial, nossas atividades no dia a dia também tem correlação com essa função. O que ocorre é que na época da criação do Serviço Aerotático SAT, em 1984, o crime que estava em alta era o de roubo a banco, porém, a criação da unidade não se deu em decorrência da necessidade de combater exclusivamente esse tipo de crime. O Serviço Aerotático está ligado administrativamente ao Deic, mas foi criado para dar apoio a todos os departamentos da Polícia Civil. Nós atuamos de acordo com a demanda que surgir, seja para operações de combate ao roubo a bancos, crimes patrimoniais, sequestros ou para qualquer outro tipo de operação. Hoje, por exemplo, temos quase que zerado o registro de ocorrências de sequestro.

Porque houve essa queda?

Na verdade, a atuação da nossa unidade de combate ao sequestro foi exitosa nesse sentido. A unidade de antissequestro, através do trabalho de investigação, conseguiu quase que zerar as ocorrências e desbaratar as quadrilhas de sequestradores. Por vezes surgem alguns casos, mas o trabalho de esclarecimento é rápido. Sequestro é um crime muito especializado, então quando se atua contra uma quadrilha você praticamente elimina boa parte dos crimes estão ocorrendo.

Como são planejadas as operações?

Nós temos na Polícia Civil uma divisão de operações especiais, dentro do próprio Deic, que é formada pelo  Grupo Armado de Repressão a Roubos (Garra) e pelo Grupo Especial de Reação (GER), além da nossa unidade de suporte aéreo. Durantes operações, nós coordenamos as ações, enviando informações aos delegados responsáveis pelas equipes de solo e eles, consequentemente, distribuem as suas equipes com bases nessas informações. Assim que a informação chega, é decido quais são os departamentos da Polícia Civil que atenderão a essa ocorrência. A partir dessa operação, de acordo com a necessidade, o SAT é acionado para prestar apoio à equipe em terra. Hoje, dado a complexidade das ações que exigem um pouco mais de um trabalho operacional, o suporte aéreo quase sempre é solicitado. Antes de empreendemos uma operação, primeiro fazemos uma reunião com a equipe de investigação que está com o fato. Após toda a parte burocrática, nós conversamos diretamente com essa equipe para levantarmos todas as informações possíveis acerca do fato: com quem estamos lidando, qual tipo de armamento a quadrilha utiliza, quais ocorrências eles já participaram. Ou seja, recebemos todos os dados possíveis para mensurar o grau de periculosidade dos criminosos e desenvolver nossas ações. Além de nos auxiliar na intervenção durante uma ação, o helicóptero nos dá a vantagem de poder coordená-la de cima É uma plataforma de observação importante, porque nós ficamos em cima da ocorrência, tendo acesso a tudo o que acontece lá embaixo. Então podemos orientar as equipes nos chão da melhor maneira.

Qual efetivo atual do SAT?

Atualmente a unidade possui seis pilotos policiais efetivos e 30 tripulantes operacionais. A tripulação é formada por investigadores de polícia e o pilotos são delegados. O restante são profissionais que ocupam funções administrações, de manutenção e suporte no dia a dia. Temos quatro aeronaves, porém, duas estão disponíveis para as operações do Serviço Aerotático e as outras estão fora de operação devido manutenção.

A cidade de São Paulo é uma das maiores do mundo, com uma infraestrutura complexa e tem, inclusive, um dos mais intensos trânsitos aéreos. Como planejar as operações nesse cenário caótico?

Como trabalhamos num ramo que exige emergência de atendimentos, temos algumas facilidades, como prioridades para decolagem e somos isentos de certas regras da ANAC [Agência Nacional de Aviação Civil] que se aplicam aos voos comerciais. Nós temos acordos operações que auxiliam e facilitam o trabalho da unidade. Por exemplo, uma aeronave comercial que vai decolar precisa apresentar um plano de voo, aguardar 45 minutos para liberação de decolagem, autorização do centro de controle. E dentro do Estado de São Paulo nós estamos liberados dessas obrigações, devido a função que exercemos.

Essas diferenciação ocorrem também na formação?

Do ponto vista da formação de piloto, devimos seguir os parâmetros exigidos pela ANAC tanto para um piloto comercial e quanto policial. Não existe qualquer tipo de privilégio. Nós temos um curso que prepara o indivíduo para ser piloto policial e, no nosso caso, existem mais exigências. Desde de 2008, a formação do piloto policial Civil e Militar é a mesma. Ela foi unificada, padronizada e segue a mesma regra, com requisitos técnicos, de idade, uma série de teste físicos, psicológicos e teóricos.

Qual das ocorrências nas quais participou o sr. considera mais marcante?

São várias que marcam, mas uma que eu destaco é a ocorrência atendida na Rua Mercúrio, região Central de São Paulo. No ocasião estávamos lidando com uma das quadrilhas de roubo a banco mais atuantes do estado. Durante a ação, os indivíduos tentaram atropelar os policiais e houve, inclusive, troca de tiros. Porém, graça à pericia de um dos nossos policiais na aeronave, o líder da quadrilha acabou sendo atingido, o que nos permitiu salvar a vida dos outros colegas em solo. Destaco essa operação devido às complexidades encontradas. Várias pessoas pelo local, horário comercial, transito intenso e no meio disso tudo uma operação policial, tiros sendo disparados, ou seja, um situação tensa que exige atenção plena. Nós utilizamos armamentos potentes, que não podem ser disparados de qualquer maneira, a esmo. E nessa circunstância, com um tiro cirúrgico, de dentro do helicóptero, em meio às diversas dificuldades, conseguimos controlar a situação e reestabelecer a segurança do lugar.Essa foi um ocorrência que, para mim, gerou muito orgulho porque fomos eficientes e tivemos êxito. Não houve falhas, somente acertos.

Você realizando intercambio de informações com outra unidades de polícia do Brasil?

São Paulo é referencia em segurança pública e, muitas vezes, sim, trocamos informações com órgãos de outros estados. Na época das Olimpíadas, por exemplo, no Batalhão de Operações Especiais do Exército em Goiana, tivemos a oportunidade de compartilhar informações com outras unidades e conhecer um pouco mais sobre como elas atuam. Nesse evento, cada órgão recebia uma atividade a ser desenvolvida e deveria apresentar uma solução de acordo com a sua realidade. É inegável que essa interação é positiva, pois só agrega conhecimentos. E tentamos agregar informações às nossas atividades não só do Brasil, mas do mundo todo. É prática recorrente do nosso pessoal realizar estudo de casos para aprender com os erros e aprimorar os nosso acertos. Por exemplo, técnicas internacionais que analisamos que podem, ou não, funcionar na nossa realidade.

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