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Alheia aos dados, a sensação de insegurança segue em crescimento

Uma pesquisa divulgada no último dia 7 de janeiro pelo Ipsos mostra que, para 45% dos brasileiros, crime e violência são as maiores preocupações, seguidas por corrupção (36%) e saúde (34%). Em outro recente levantamento, realizado pelo Datafolha, que ouviu 2.002 pessoas, de 113 municípios, entre os dias 2 e 4 de dezembro, 16% dos entrevistados apontaram a segurança pública como o problema mais grave do país. O setor só ficou atrás da saúde, indicada por 20% dos participantes como a questão mais preocupante, e ultrapassou a economia, que caiu para a terceira posição, com 11% dos votos, no ranking dos assuntos que mais afligem os habitantes do país. 

Por Marco Antônio Barbosa**

 

Uma pesquisa divulgada no último dia 7 de janeiro pelo Ipsos mostra que, para 45% dos brasileiros, crime e violência são as maiores preocupações, seguidas por corrupção (36%) e saúde (34%). Em outro recente levantamento, realizado pelo Datafolha, que ouviu 2.002 pessoas, de 113 municípios, entre os dias 2 e 4 de dezembro, 16% dos entrevistados apontaram a segurança pública como o problema mais grave do país. O setor só ficou atrás da saúde, indicada por 20% dos participantes como a questão mais preocupante, e ultrapassou a economia, que caiu para a terceira posição, com 11% dos votos, no ranking dos assuntos que mais afligem os habitantes do país.

Antes disso, em setembro, uma outra consulta realizada por esse mesmo instituto de pesquisa teve 22% das pessoas ouvidas elegendo a criminalidade como o tema mais preocupante. Mas essa sensação é descolada da realidade.

Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública houve uma redução de 11% no número de assassinatos em 2025 na comparação com o ciclo anual anterior. Este é o quinto ano, por sinal, em que foi registrada uma diminuição neste índice. Como então podemos explicar essa situação?

O primeiro ponto é que, mesmo em queda, o número de homicídios ainda é absurdo em nosso país e corresponde a 10% das mortes violentas em todo o mundo. Porém, o grande fator da sensação de insegurança está ligado à descrença em soluções, que fomenta o sentimento de não estar seguro em nossas cidades.

 

Sensação de insegurança

 

A falta de políticas públicas de segurança interligadas em todo o território soma-se à situação precária que enfrentam nossas polícias e a morosidade na resolução dos crimes. Somente 35% dos casos de homicídio são solucionados, o que nos traz uma sensação muito grande de impunidade e nos leva a desacreditar na capacidade do Estado.

Por esta mesma equação é que o mercado de segurança privada cresce tanto. Se não temos o responsável necessário dos governantes, apelamos para as nossas próprias iniciativas para nos sentirmos um pouco mais seguros.

As notícias que temos sobre o crescimento e a profissionalização das facções criminosas também nos “provam” que o caminho trilhado não está correto. E isso se transforma em um ciclo que dificulta ainda mais o complexo quebra-cabeça da segurança pública brasileira.

Este sentimento de insegurança só será dissolvido quando houver uma atenção maior para os problemas estruturais e de longo prazo. E a existência de uma justiça mais rápida, investimento em inteligência e integração das polícias, além de políticas públicas de maior acesso à moradia, saneamento básico e educação para a população de baixa renda ter possibilidades na vida que vão além do crime.

É um caminho complexo e lento, mas que precisa ser encarado para podermos, de fato, mudar a imagem arranhada da segurança no Brasil.

Apesar de parecer descolada da realidade, a sensação dos brasileiros condiz com uma população descrente e que em algum momento já foi vítima da criminalidade em algum momento da vida. É o famoso gato escaldado.

Somente com muito trabalho, envolvimento de todos os poderes e da sociedade civil poderemos sentir real tranquilidade ao viver em nossas cidades.

Foto: Came/Divulgação

** Marco Antônio Barbosa

Especialista em segurança e diretor da CAME do Brasil. Possui mestrado em administração de empresas, MBA em finanças e diversas pós-graduações nas áreas de marketing e negócios.

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