Apple processa NSO, criadora israelense de software de espionagem

Receba atualizações em tempo real direto no seu dispositivo, inscreva-se agora.

A Apple decidiu processar a empresa israelense NSO Group, responsável pela criação do programa de espionagem Pegasus. O software tem a capacidade de invadir celulares da empresa e também aqueles que possuem sistema Android para acessar dados e ativar câmera e microfone.

Ele teria sido usado para espionar jornalistas, grupos de ativistas e políticos de oposição de 50 países, mostrou uma série de reportagens de jornais britânicos e norte-americanos.

Por meio da ação judicial, a Apple que, além de responsabilizar o NSO Group pelos ataques, impedir a empresa de utilizar qualquer um de seus softwares, serviços ou dispositivos.

“Agentes patrocinados pelo Estado, como é o caso do NSO Group, gastam milhões de dólares em tecnologias sofisticadas de vigilância sem que sejam responsabilizadas de forma efetiva. Isso precisa mudar”, diz Craig Federighi, vice-presidente-sênior de Engenharia de Software da Apple.

“Embora essas ameaças cibernéticas impactem apenas um número pequeno de nossos consumidores, nós levamos qualquer ataque a nossos usuários muito a sério, e estamos trabalhando constantemente para fortalecer nossas proteções de segurança e privacidade no iOS, de maneira a manter todos seguros.”

A criadora do iPhone também pede indenização pelo tempo e custo para lidar com o que a empresa argumenta ser o abuso dos seus produtos por parte da empresa israelense. Segundo a Apple, o valor será doado para organizações e comunidades de pesquisa de cibersegurança que trabalham para revelar o uso desse tipo de ferramenta de espionagem – a empresa também destinou US$ 10 milhões para esses grupos.

Esse não é o primeiro processo que o NSO Group enfrenta. Em outubro de 2019, o Facebook entrou na Justiça alegando que a companhia violou os termos de uso do WhatsApp ao enviar códigos maliciosos a 1.400 usuários entre abril e maio de 2019, usando uma vulnerabilidade no recebimento de chamadas do aplicativo.

A NSO não se manifestou sobre o processo da Apple, mas já afirmou em outras ocasiões que seus produtos são vendidos apenas para autoridades e agências de espionagem, e que toma medidas para coibir abusos.

De acordo com a Apple, a última versão do sistema iOS (15) traz novas proteções de segurança, incluindo atualizações significativas ao mecanismo de segurança BlastDoor. “Embora o spyware do NSO Group continue evoluindo, a Apple não observou evidências de sucesso em ataques remotos contra aparelhos com iOS 15 ou versões posteriores. A Apple pede que todos os usuários mantenham seus aparelhos iPhone atualizados e sempre usem a versão mais recente do software”, afirma a empresa.

Comentários estão fechados.