O Brasil amarga uma triste estatística em relação aos acidentes de trabalho: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) contabilizou no primeiro semestre de 2025 mais de 380 mil acidentes de trabalho e 1.689 óbitos, aumento de 9% e 5%, respectivamente, em relação ao mesmo período em 2024. Uma das maneiras de evitar tal problema está no fornecimento e orientações de uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), ação mandatória estabelecida pela Norma Regulamentadora 6 (NR‑6) e a tecnologia tornou-se uma aliada no monitoramento do uso correto desses apetrechos, especialmente com o boom da Inteligência Artificial (IA).
“Os algoritmos detectam o comportamento do profissional utilizando ou não EPI (capacete ou colete reflexivo, principalmente) e ainda violações de perímetro, comportamento de grupos, entre outras”, explica Emerson Douglas Ferreira, CEO e fundador da Meeting Soluções Estratégicas, ao site Segurança Eletrônica, complementando que os algoritmos avançados disponíveis para esse fim são fabricados pela Irisity (sueca) e Eyekeeper SIDI (brasileira, desenvolvido pela empresa).
O videomonitoramento com IA analisa automaticamente as imagens das câmeras de vigilância em tempo real e avisam os encarregados de segurança ou analistas de Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde (QSMS) sobre atitudes com potenciais riscos de acidentes pela falta ou uso incorreto de EPI.
Monitoramento via Smart Workers
Outro problema comum durante a jornada de trabalho é a fadiga, especialmente quando as jornadas são longas e com EPIs mais complexos. Eis que surge o conceito de Smart Worker, também conhecido por Connected Worker ou EPI Digital.
Por meio da conectividade, a tecnologia aplicada em crachás, capacetes e EPIs monitoram dados em tempo real sobre presença, fadiga ou mesmo queda da produtividade, enviando alertas e relatórios sobre zonas de risco, comportamentos de movimentação e tempo de exposição, além de gerar indicadores de segurança e desempenho.
Em números, o setor global dessas soluções até 2030 deve ultrapassar US$ 6 bi, com ticket médio superior a 15% ao ano, segundo a consultoria MarketsandMarkets e no Brasil, até 40% das indústrias já se beneficiam dessas tecnologias em suas operações.
Por conta da versatilidade, esses sistemas vestíveis e sensores inteligentes permitem uma visão holística de toda a jornada de trabalho, o que proporciona a previsibilidade de riscos de acidentes, bem como propõe melhorias nos processos, acrescenta Túlio Cerviño, CEO da Trackfy, empresa que disponibiliza tais soluções analíticas para os setores industriais e de obras.
O gestor, à CartaCapital, endossa que o foco do Smart Worker é combinar o bem-estar e a segurança aos trabalhadores, transformando dados em decisões práticas.
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