Drones a favor da segurança

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Por Lucas Kubaski

Os veículos aéreos não tripulados (VANT) ou Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPA), assim como a internet, fizeram uma trajetória de acessibilidade para trazer benefícios além de aplicações militares e sigilosas. O uso comercial, industrial, governamental e entretenimento popularizou a tecnologia a ponto de diversas organizações, empresas e até pessoas físicas fazerem uso cada vez maior dos drones no dia a dia.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), órgão responsável pela regulação do espaço aéreo no Brasil e pelo cadastro de drones, apontou (até o mês passado) que existem 82.877 registros desses equipamentos, contra 77.183 no mesmo período do ano anterior. Pelo regulamento, os equipamentos se dividem entre aeronaves não tripuladas remotamente pilotadas usadas para recreação e lazer e também as que são para usos experimentais, comerciais ou institucionais.

Um estudo da Research Markets de 2019 mostra que a previsão para faturamento do mercado de drones, em nível global, deve atingir US$ 32,83 bilhões em 2026. No Brasil,  este segmento cresce acima da média global, tendo crescido cerca de 100% em 2019, enquanto no mundo cresceu 72%, de acordo com Gartner.

Com a pandemia, tornou-se ainda mais importante a utilidade destes equipamentos, com aplicações como entregas de alimentos, remédios, estacionamentos de locais públicos, monitoramento de aglomerações e principalmente apoio à segurança pública. Especialmente quando drones dotados de câmeras com inteligência artificial e zooms potentes de até 480x são capazes de fazer leitura de placas de veículos roubados e reconhecimento facial capaz de identificar automaticamente suspeitos e foragidos.

Chuvas e escuridão não são barreiras para os drones, pois a fibra de carbono na fabricação destes equipamentos garante um voo de qualidade em quaisquer condições climáticas, podendo enfrentar ventos e chuva fortes. Se eles forem dotados de câmeras térmicas, podem ser bem utilizados mesmo na ausência total de luz, uma vez que esses equipamentos são capazes de identificar a aproximação de intrusos por meio da temperatura corporal.

Em comum, estas demandas normalmente trazem vantagens como redução de custo de mão de obra (substituir vigilantes por drones, motocicletas e carros), maior eficiência nas rondas e até mesmo evitar o confronto direto entre a equipe de segurança e criminosos. Vale lembrar que preservar vidas é um dos benefícios mais expressivos dos drones para monitoramento de segurança.

Diversos Estados e Municípios estão utilizando drones para segurança e evitar aglomerações, como São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco. Em março de 2021, a guarda municipal de Bragança Paulista (SP) flagrou uma aglomeração em uma casa de veraneio com o uso de um drone que sobrevoava a região e detectou o grupo. A gestão está usando o equipamento como reforço para a fiscalização de descumprimento das regras de isolamento social e fase emergencial.

A Prefeitura de Santo André (SP) e o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) interromperam uma festa clandestina em um bar numa região de difícil acesso com cerca de 80 pessoas que estavam desrespeitando as medidas que visam desacelerar o contágio pelo novo coronavírus. O drone já estava sendo utilizado durante a Operação Comércio Responsável com o objetivo de controlar o fluxo de pessoas e de carros em corredores comerciais da cidade.

Mapeamento aéreo urbano

O mapeamento aéreo com aviões tripulados já era utilizado para realizar a cobrança de IPTU, porém, devido ao seu alto custo operacional era apenas viável para os grandes centros. Com a chegada dos drones, o custo operacional caiu drasticamente possibilitando que pequenos e médios municípios (a grande maioria no Brasil) tenham acesso a essa tecnologia. De forma simples, o processo consiste em capturar imagens aéreas do município e após processar essas imagens e corrigir os erros de distorções e do relevo são gerados produtos cartográficos capazes de mensurar o terreno de forma remota. Com isso, é   possível mensurar os lotes e edificações do município e identificar possíveis irregularidades na cobrança de IPTU.

O equipamento vem sendo fundamental para o poder público planejar diversas ações e identificar gargalos, ilegalidades a um custo cada vez mais acessível, uma vez que a popularidade traz o aumento do uso da tecnologia.

Lucas Kubaski é gerente de tecnologia da Dahua Technology

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