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Segurança Inteligente: General Matsuda e A/Sense debatem o futuro da defesa perimetral no ExpoShow

A dinâmica da segurança global e nacional exige, cada vez mais, uma mudança estrutural na forma como organizações e governos protegem seus perímetros e ativos de alto valor. Diante de um cenário em que a criminalidade se apresenta de forma complexa e as ameaças geopolíticas se fragmentam, a resposta puramente reativa já não é suficiente para mitigar riscos. Esse diagnóstico norteou as discussões na Exposec 2026 – Feira Internacional de Tecnologia em Segurança, realizada em São Paulo. No dia 2 de junho, o espaço Expo Show recebeu uma das apresentações mais concorridas do evento: a palestra do General Matsuda, que compareceu como representante da A/Sense Defesa Perimetral.

A dinâmica da segurança global e nacional exige, cada vez mais, uma mudança estrutural na forma como organizações e governos protegem seus perímetros e ativos de alto valor. Diante de um cenário em que a criminalidade se apresenta de forma complexa e as ameaças geopolíticas se fragmentam, a resposta puramente reativa já não é suficiente para mitigar riscos. Esse diagnóstico norteou as discussões na Exposec 2026 – Feira Internacional de Tecnologia em Segurança, realizada em São Paulo. No dia 2 de junho, o espaço ExpoShow recebeu uma das apresentações mais concorridas do evento: a palestra do General Matsuda, que compareceu como representante da A/Sense Defesa Perimetral.

Com o tema “O futuro da Defesa está na antecipação. Inteligência e inovação aplicada à defesa de perímetros complexos”, o general trouxe para o público da feira uma análise profunda que conectou episódios históricos contemporâneos, conceitos de resiliência organizacional e a necessidade urgente de o Brasil investir em soberania tecnológica.

 

A trajetória de um especialista em Inteligência Estratégica

A bagagem teórica e prática do General Matsuda confere peso às suas teses sobre defesa perimetral e inteligência analítica. Formado em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), ele possui mestrado e doutorado em Operações Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) e pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Sua formação inclui especializações internacionais em defesa realizadas no Canadá e no Uruguai, além do Curso de Operações na Selva pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS).

Ao longo de sua carreira militar, acumulou vasta experiência internacional como Assessor Militar da Organização das Nações Unidas (ONU) na Guatemala, Chefe da Comissão do Exército Brasileiro nos Estados Unidos e Adjunto do Adido Militar para os EUA e Canadá. Na função de Oficial-General, comandou a 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada e liderou a implantação da primeira fase do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), um dos principais projetos de defesa tecnológica do Exército Brasileiro, envolvendo o uso de drones, radares, sensores e guerra eletrônica. Após atuar como Comandante Militar do Planalto, sua última função na ativa, passou a exercer a gerência do Projeto SINFOTER junto ao Comando de Operações Terrestres (COTER/EB), uma iniciativa focada em inteligência artificial aplicada à defesa, superioridade informacional e consciência situacional. Ele integra ainda o Conselho Estratégico do Instituto Iniciativa Dex.

 

Do otimismo do fim do Século XX à realidade do Século XXI

O ponto de partida da palestra do general foi uma revisão histórica do final do século passado. Matsuda relembrou a queda do Muro de Berlim e o impacto da obra O Fim da História e o Último Homem, do cientista político Francis Fukuyama. Naquela conjuntura, difundiu-se a tese de que o mundo caminharia para a pacificação definitiva, sem a necessidade de grandes estruturas de defesa ou de exércitos robustos, levando inclusive algumas nações a abdicarem de suas forças armadas.

No entanto, o panorama histórico real demonstrou que nunca houve um período prolongado sem conflitos ou livre da convivência com regimes autoritários. A virada para o século XXI desfez as ilusões de um mundo linearmente seguro. O palestrante compartilhou uma lembrança pessoal marcante: em 11 de setembro de 2001, ele cumpria missão oficial no Uruguai ao lado de um colega militar norte-americano quando receberam os primeiros telefonemas sobre os ataques em Nova York e Washington. Inicialmente, o oficial dos EUA não deu crédito à informação, tamanha a incredulidade diante da vulnerabilidade exposta. A confirmação dos fatos mudou drasticamente a postura de toda a representação diplomática, marcando o colapso definitivo da percepção de segurança absoluta. O mundo revelou-se, a partir dali, volátil, incerto, ambíguo e perigoso.

Para ilustrar essa transição entre a segurança que se apoia apenas em estruturas rígidas e a segurança que se baseia na capacidade de antever riscos, o general utilizou metáforas cinematográficas bem-sucedidas. Comparou o modelo mental do século XX ao navio Titanic: uma obra de engenharia de elite, luxuosa, veloz e dotada de motores potentes, mas que naufragou porque carecia de ferramentas e processos capazes de prever o obstáculo à sua frente. Em contrapartida, citou o universo de O Senhor dos Anéis, especificamente a sociedade dos elfos, caracterizada pela sabedoria e inteligência analítica, que se utilizava das pedras palantíri para enxergar além do horizonte e antecipar o futuro.

A metáfora das pedras que veem longe serviu de gancho para explicar a evolução do mercado de segurança privada e de defesa. Matsuda mencionou a criação da empresa norte-americana Palantir em 2003, nascida com o apoio de inteligência governamental para desenvolver soluções que evitassem surpresas como as de 2001. “Esse movimento representou o marco divisor entre a segurança reativa, que opera após o incidente consolidado, e a segurança preditiva, pautada na antecipação”, explicou.

O conferencista defendeu que as organizações modernas precisam migrar do conceito de resiliência para o de antifragilidade, termo cunhado pelo autor Nassim Nicholas Taleb. “Enquanto a organização resiliente apenas resiste aos choques e retorna ao seu estado original, a organização antifragil aprende com a volatilidade, adapta-se ao perigo e se fortalece diante da adversidade. Para atingir esse patamar, é indispensável a incorporação de tecnologia avançada e de uma cultura voltada à inovação”, apontou o general.

Como exemplo prático dessa mentalidade de sobrevivência, o caso de Israel foi detalhado. Diante de constantes ameaças à sua existência, general Matsuda conta que o país transformou a área de defesa no motor de sua economia, gerando o conceito de “Nação Startup”. “Lá, o período de serviço militar obrigatório funciona como um laboratório vivo para o desenvolvimento de novas tecnologias, onde os jovens buscam o empreendedorismo inovador como meta de vida e carreira, atraindo a atenção de grandes corporações globais”, comentou.

 

A tríplice hélice e a realidade brasileira

Ao analisar o contexto brasileiro, o General Matsuda reforçou a relevância do conceito da Tríplice Hélice, modelo que pressupõe a integração sinérgica entre o governo, as instituições acadêmicas e o setor empresarial. No entendimento do palestrante, a fragmentação geopolítica atual, caracterizada pela divisão global de cadeias produtivas e disputas por mercados estratégicos, deflagrou uma corrida tecnológica global. “Para salvaguardar seus interesses e proteger sua infraestrutura crítica, o Brasil precisa buscar a soberania tecnológica”, observou.

Nesse aspecto, o general elogiou as soluções de engenharia que vêm sendo desenvolvidas no país, citando nominalmente o trabalho da empresa A/Sense, sob a liderança de Hamilton Luiz, destacando a capacidade de agregar inteligência analítica e capacidade preditiva à proteção de perímetros e ativos sensíveis. Ao término da apresentação, foi realizada uma homenagem honorífica ao general Matsuda, em reconhecimento à sua contribuição técnica na área.

 

Entrevista com o General Matsuda

 

Após a conclusão de sua conferência no Expo Show, o General Matsuda concedeu uma entrevista exclusiva para o Portal Security Brazil, mídia oficial da Exposec, detalhando a interface entre as forças de defesa e o mercado de segurança tecnológica.

Portal Security Brasil: General Matsuda, parabéns pela palestra. As questões trazidas mostram uma dimensão sobre os riscos e a segurança que muitas vezes a sociedade não percebe no cotidiano. Qual é a importância para o senhor de participar de um evento com o perfil da Exposec e trazer a sua expertise para um público tão segmentado e estratégico para o país?

General Matsuda: A importância principal é a oportunidade de continuar ajudando. Como mencionei durante a apresentação, entendo que a nossa missão e o nosso dever continuam ativos, mesmo estando na reserva do Exército. É fundamental fomentar e estreitar essa aproximação necessária entre o setor empresarial produtivo e as Forças Armadas. Nós necessitamos que as empresas privadas apresentem soluções viáveis, robustas e modernas para as nossas demandas. A guerra contemporânea e os desafios de segurança pública estão cada vez mais tecnológicos.

Atualmente, o sucesso das operações depende muito menos da força cinética propriamente dita e muito mais da ação direta da tecnologia, que hoje permeia absolutamente todos os processos dentro e fora do campo de batalha. Portanto, nós precisamos entrar de cabeça nessa realidade. Precisamos estimular a criação de soluções nacionais que possamos aplicar operacionalmente. A essência do que discutimos aqui na feira caminha justamente nesse sentido: trazer alternativas que agreguem alta tecnologia, capacidade contínua de inovação, antecipação de cenários e, principalmente, soberania.

 

Portal Security Brasil: Em relação a esse cenário de inovação e integração, como o senhor avalia a situação atual do Brasil? Estamos em um bom caminho?

General Matsuda: Eu diria que potencial nós temos, e ele é bastante considerável. No entanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido para que o país se aproxime de uma cultura como a americana ou a de Israel, onde o desenvolvimento tecnológico está no sangue da população e a integração entre as Forças Armadas e as indústrias nacionais é um traço quase cultural, orgânico. Nós temos esse trajeto longo pela frente, mas isso de forma alguma significa que não possamos chegar lá. Temos engenharia de ponta e mentes capacitadas para isso.

 

Portal Security Brasil: E a realização de um evento de grande porte como a Exposec contribui de forma prática para acelerar essa transição cultural?

General Matsuda: Ajuda de maneira muito significativa. Um evento com essa infraestrutura e alcance é essencial porque nos permite passar o recado de forma direta. Conseguimos fazer com que essas teses, conceitos e alertas sejam disseminados para o maior número possível de pessoas, de lideranças corporativas, de empresas e de participantes do ecossistema de segurança. É um catalisador desse debate indispensável.

 

A visão do mercado

Entrevista com Hamilton Luiz, CEO da A/Sense

Complementando a discussão sobre a capacidade industrial e tecnológica do país, Hamilton Luiz, CEO da A/Sense, detalhou em entrevista a atuação da empresa como expositora na Exposec 2026 e a proposta técnica que sustenta o conceito de defesa perimetral preditiva.

 

Portal Security Brasil: Hamilton, para compreendermos o posicionamento de mercado da marca, como surgiu a A/Sense e qual é o foco principal da sua tecnologia?

Hamilton Luiz: A A/Sense nasce de uma convicção muito clara da nossa engenharia: a de que o Brasil possui todas as condições técnicas para desenvolver e fabricar tecnologia de altíssimo nível. Para nós, a empresa não se resume a um modelo de negócios convencional. Nós entendemos o mercado e temos a certeza de que o país tem capacidade de alcançar a soberania tecnológica que o General Matsuda detalhou em sua apresentação.

Por essa razão, concentramos todo o nosso empenho no desenvolvimento de soluções que entreguem alto desempenho e excelência para o mercado de segurança restritiva. A A/Sense é uma empresa 100% brasileira, referência em pesquisa, desenvolvimento e fabricação de soluções de defesa perimetral baseadas em fotônica e eletrônica avançada, cobrindo desde o hardware até o software. Aplicamos o que há de mais avançado em sensoriamento óptico e Internet das Coisas (IoT), com alta conectividade e velocidade de processamento de dados, desenhando o que chamamos de primeira linha de defesa para ativos de alto valor.

  

Portal Security Brasil: Na prática, como essa tecnologia baseada em fotônica se diferencia dos sistemas tradicionais de segurança de perímetro?

Hamilton Luiz: O diferencial está na capacidade de prever o evento. Através do uso de algoritmos inteligentes de desenvolvimento próprio, nós analisamos minuciosamente o comportamento físico da luz na fibra óptica. Essa análise nos permite detectar com precisão absoluta as tentativas de intrusão ao longo do perímetro antes mesmo que elas efetivamente aconteçam.

A nossa solução é focada na proteção de ativos críticos através da antecipação pura. Estamos trabalhando ativamente para mudar o conceito tradicional de segurança, que historicamente se baseou na reação, migrando para uma cultura de antecipação. Isso atende diretamente às demandas de proteção de plantas industriais, infraestruturas de energia, logística e grandes condomínios, segmentos nos quais queremos consolidar nossa referência no Brasil.

 

Portal Security Brasil: Em relação à participação na Exposec 2026, a feira tem correspondido às metas e expectativas comerciais da empresa?

Hamilton Luiz: Sim, perfeitamente. A participação nesta edição foi muito positiva. Nós viemos para a feira com uma expectativa bastante elevada e, até o momento, as nossas metas estão sendo plenamente atendidas. Toda a diretoria e os organizadores da Exposec estão de parabéns pelo nível de organização e pela qualidade do público qualificado que atraíram. É um evento de alto nível e que certamente contará com a nossa presença contínua nas próximas edições.

 

Portal Security Brasil: E como tem sido o retorno prático do mercado em relação às soluções instaladas pela A/Sense?

Hamilton Luiz: O respaldo tem sido excelente. Hoje, a A/Sense soma mais de 800 projetos de alta complexidade já implantados e em pleno funcionamento no Brasil, acumulando um histórico de sucesso expressivo. Nossa atuação é versátil e atende desde grandes condomínios residenciais de alto padrão até a área industrial pesada, alcançando também infraestruturas críticas de transportes, como portos e aeroportos. Conseguimos atender com eficiência a todos os setores da economia, focando prioritariamente naqueles clientes que possuem ativos de alto valor e que não podem trabalhar com a margem de erro dos sistemas de segurança convencionais. Um evento como a Exposec funciona como essa grande vitrine para demonstrarmos que a indústria nacional tem competência para projetar, fabricar e entregar tecnologia de ponta para o mercado global.

Hamilton Luiz e General Matsuda, no palco do Expo Show

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