Você está em uma viagem de negócios e precisa entregar um relatório urgente. Por conta desse senso de pressa, não pensa duas vezes e acessa as credenciais da sua empresa a partir de uma rede pública de Wi-Fi. Não se sente “desprotegido”, pois o seu time de TI incumbiu-se de instalar programas específicos, antivírus atualizado nos dispositivos, além recursos como a autenticação de dois fatores.
Ledo engano: em segundos, o que seria apenas mais uma tarefa concluída tornou-se vulnerabilidade para um ciberataque, como vazamento de informações, que podem comprometer todo um investimento em segurança digital. E esse cenário é mensurado e comprovado: o relatório global de ameaças digitais 2026 da gigante CrowdStrike (saiba mais) relevou que bastaram apenas 27 segundos para execução de crime digital, além do espantoso aumento de 89% nos ataques conduzidos por inteligência artificial (IA). E os prejuízos podem doer no bolso: um relatório da IBM Security aponta que o custo médio mundial de uma violação de dados chegou a US$ 4,45 mi.
Para Rodrigo Gazola, CEO da Addee, especializada no tema, em artigo do Monitor Mercantil, a “falsa sensação” de um ambiente digital protegido permeia em determinar uma camada de segurança para resolver todos os tipos de ataques.
“Esse conceito é conhecido como defense in depth, ou defesa em profundidade. Não significa comprar mais produtos indiscriminadamente, mas fazer com que identidade digital, perímetro, rede, endpoints, nuvem, monitoramento e automação trabalhem coordenadamente, compartilhando informações e permitindo respostas rápidas antes que um incidente se transforme em uma crise operacional”, explica o executivo.
Para Gazola, as vantagens competitivas abrangem o ato de ser estratégico ao se preparar, inclusive, para os riscos virtuais que possam acontecer, especialmente os que ainda não estão sendo observados pelas empresas.
De olho nos dados esquecidos
O recado dos especialistas é claro: a cibersegurança não serve apenas a dados acessados, também envolve o engajamento dos times em ter atitudes prudentes em lidar com isso, o que inclui o que deixamos “na gaveta”, ou seja, os arquivos documentais. Colocando a lupa, as informações que são mais alvo de golpes envolvem bases utilizadas para desenvolvimento, analytics, relatórios e testes internos, que contêm cópias de informações sensíveis sem o mesmo nível de controle aplicado aos ambientes produtivos.
Thais Vianna, executiva na DOMVS iT, parceira da Delphix no Brasil, especializada em resiliência cibernética, salienta, ao Segs, que instrumentos como os já tradicionais firewalls e sistemas de bloqueio prosseguem relevantes, porém é preciso mudar a mentalidade em relação a essa massa informativa.
“A segurança moderna não é mais baseada apenas em impedir ataques. A invasão hoje é tratada como uma possibilidade real. O que diferencia empresas maduras é a capacidade de recuperar dados e restabelecer operações rapidamente”, alerta a executiva.
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