A regulamentação do Estatuto da Segurança Privada (Lei nº 14.967/2024) já se converte em bons números: segundo o Anuário da Segurança Privada 2026, divulgado pela Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores, o setor movimentou R$ 50,5 bilhões em 2025, crescimento de 3,98% em relação a 2024, quando o faturamento foi de R$ 48,6 bilhões.
Desse total, R$ 44 bilhões foram provenientes dos serviços de vigilância e segurança privada, enquanto R$ 6,5 bilhões correspondem ao transporte de valores. Em relação a profissionalização, mais de 808 mil vigilantes estão com formação e reciclagem em dia, salto de 6% em comparação a 2025 e o maior índice registrado desde 2022, informa o Anuário.
Em março deste ano, o país contava com mais de 588 mil vigilantes em atividade regular, aumento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior: “A segurança privada brasileira é reconhecida pela qualificação dos seus profissionais. A ampliação do número de vigilantes capacitados demonstra que o setor está preparado para acompanhar a evolução tecnológica e atender às novas demandas da sociedade com mais excelência”, frisa Flávio Sandrini, presidente da Fenavist.
E quando o assunto envolve a segurança pública no Brasil, o panorama está cada vez mais complexo, desafiador e, de certa forma, reverberante em diversos segmentos econômicos, o que inclui a segurança privada: de acordo com 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP; ano-base 2025), enquanto o país teve uma redução de Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 8,2% na comparação com o ano anterior, atingindo o menor número desde 2012, na outra ponta, houve um crescimento de 72,2% em despesas relacionadas por parte dos municípios, conforme aponta análise da Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Capacitação na segurança privada
A capacitação de vigilantes é uma das principais necessidades da categoria. Para tanto, uma parceria entre a Fenavist e a Associação Brasileira de Cursos de Formação e Aperfeiçoamento de Vigilantes (ABCFAV) resultou na atualização de apostilas de formação profissional para vigilantes e demais profissionais, em consonância com o novo marco regulatório e conformidade com o Decreto nº 13.012/2026, que estabelece regras para autorização, controle e fiscalização dos serviços de segurança privada e segurança das instituições financeiras.
O material está disponível gratuitamente online e foi aprovado pela Polícia Federal, órgão responsável pela fiscalização e regulamentação da atividade, sendo ideal para escolas de formação, instrutores, empresas. Mais informações neste link.
Mobilização no CE
Entre os estados, esse novo cenário que se redesenha também está gerando mobilizações. No Ceará, além do marco regulatório, temas como avanços tecnológicos de monitoramento eletrônico, novas categorias profissionais e fortalecimento da categoria foram discutidos em um recente evento do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado do Ceará (SINDESP-CE) em parceria com o Instituto Nacional de Segurança Privada (INASEP).
Para Carlos Gualter de Lucena, presidente do SINDESP-CE, o momento é relevante e a categoria precisa estar informada dessas mudanças. “Promover espaços de debate e esclarecimento é fundamental para que as empresas compreendam as novas exigências, atuem em conformidade com a legislação e contribuam para o fortalecimento de um setor cada vez mais profissionalizado”, conclui o especialista, ao TrendsCE.
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