O mercado de trabalho atravessa uma transformação silenciosa, porém profunda. Em 2026, o grande dilema corporativo não é mais a disponibilidade de ferramentas, mas o descompasso entre a velocidade da inteligência artificial e a capacidade humana de adaptação. Essa lacuna tem redesenhado perfis profissionais, pressionado políticas salariais e intensificado a disputa global por talentos.
De acordo com Rafaela Lucena, sócia da área de BPO de Folha de Pagamento da Bernhoeft, o cenário atual exige uma mudança de mentalidade nas organizações.
“O risco surge quando a adoção da IA acontece mais rápido do que a capacitação das pessoas. Nesse cenário, a tecnologia vira moda, não gera impacto real e ainda aprofunda desigualdades internas”, alerta Rafaela.
O Novo Perfil Profissional
Dados do Global Talent Barometer 2025, da ManpowerGroup, revelam que 39% dos profissionais consideram mudar de emprego nos próximos meses. A busca não é apenas por melhores salários, mas por ambientes que ofereçam desenvolvimento real. A demanda agora foca em profissionais híbridos: aqueles que unem visão de negócios com fluência digital.
No setor de Recursos Humanos, essa transição é latente. O RH deixou de ser meramente operacional para se tornar uma célula estratégica de dados.
“Não se trata mais de ‘operar sistemas’, mas de transformar dados em decisões que impactam pessoas e negócios”, explica a executiva da Bernhoeft. “Profissionais que conectam informações de recrutamento, folha e desempenho passam a gerar previsões cruciais sobre engajamento e riscos de turnover.”
Retenção e Sustentabilidade
A disputa por talentos tornou-se global e multifacetada. Flexibilidade, saúde mental e propósito hoje dividem o mesmo patamar de importância com a remuneração. Para Rafaela Lucena, o equilíbrio entre a automação e a experiência humana é a chave para a sustentabilidade das empresas a longo prazo.
“Empresas que investem em automação inteligente conseguem liberar o RH de tarefas repetitivas e ganhar tempo para atuar onde realmente importa: desenvolvimento, engajamento e construção de jornadas mais humanas”, pontua.
O desafio para 2026 está lançado: a questão central não é a continuidade da evolução tecnológica — que já é um fato — mas se as empresas conseguirão desenvolver suas equipes na mesma velocidade em que implementam novos softwares.


