Agilidade e investimento em tecnologia auxiliam na integração da segurança pública

Quando acontece uma ocorrência de roubo ou mesmo um acidente, independentemente da complexidade, tudo converge em uma palavra: tempo. Imagine, portanto, agilizar a coleta de informações de ocorrências de órgãos públicos como Polícia Militar, Bombeiros e SAMU, e, consequentemente, resolver essas demandas? Pois essa já é uma realidade que está sendo implantada no Brasil.

O Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados)lançou a nova versão de um sistema que faz o registro, despacho e a integração dos atendimentos emergenciais de três dígitos, as chamadas telefônicas para Polícia Militar (190), Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal e Bombeiros, além de SAMU e Guardas Municipais. Segundo informações do órgão, a versão anterior, SINESP-CAD, já recebeu mais de 10 milhões de chamadas desde que foi lançada em 2016. Já nova versão é a 3.0, foi implantada no fim de março, nos municípios de Contagem, em Minas Gerais e Camaragibe, em Pernambuco, diminuindo o tempo de resposta ao cidadão e será estendida para demais regiões.

 

Segurança pública

 

Em oito dias de teste, foram recebidas 632 chamadas e a experiência foi considerada bem-sucedida, avalia Ana Paula Guimarães, do departamento encarregado, no Serpro, de negócios para segurança pública. “Foi um marco para o projeto e um momento importante, fruto de muito trabalho. Também foi possível conhecer o negócio de perto e aproveitamos a oportunidade para realizar alguns testes de usabilidade, para identificar eventuais oportunidades de melhoria”, comemora.

Dentre as melhorias do sistema, está a permissão em prosseguir o atendimento mesmo com falhas de internet, sendo essencial para regiões com menor capacidade de infraestrutura. “O sistema continua operando com as principais funcionalidades de atendimento e despacho, praticamente sem nenhuma ação do usuário. Quando a conexão normaliza, as informações são sincronizadas de forma automática”, explica Willian Spagnol, gerente de uma divisão da empresa pública encarregada de sistemas de segurança pública.

Para se ter ideia, o SINESP-CAD atendeu uma média de 9.391 chamadas por dia, em 26 estados. A tecnologia faz parte do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, uma plataforma desenvolvida para o Ministério da Justiça que possibilita diversas consultas estratégicas para auxiliar em investigações que envolvam informações sobre sistema prisional, armas, munições, material genético, digitais e drogas.

 

Unificação de dados

 

Além da agilidade, juntar todos os dados também são fundamentais para a resolutividade de casos. A partir de maio, os dados sobre Segurança Pública no país serão ampliados e unificados, com a previsão de atualizações a cada 30 dias e não a cada 90 dias, como é realizado atualmente.

Em notícia publicada pela Agência Rádio Nacional, o novo programa de dados estatísticos do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas e Munições, de Material Genético, de Digitais e de Drogas) também permitirá a implementação de políticas públicas e a publicação de estatísticas. O lançamento oficial do programa deve ocorrer somente no segundo semestre.

Com o novo sistema será possível saber o total de crimes como por exemplo feminicídios e mortes provocadas por agentes do estado conforme cada região. O sistema já funciona em municípios do Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará e Paraná.

Há dez anos em atuação, a multiplataforma agiliza o trabalho das forças de segurança, órgãos de fiscalização, controle e justiça e dá protagonismo ao cidadão. O Sinesp Infoseg possui mais de 136 mil usuários, com 600 órgãos do judiciário cadastrados e 113 mil consultas realizadas diariamente no aplicativo. Já a versão ao público em geral, o Sinesp Cidadão, permite a consulta de pessoas procuradas pela justiça, com fotos e resumo dos delitos cometidos, pesquisa de veículos com restrição de roubo e furto, entre outros recursos.

Outro exemplo é que o Exército e Polícia Federal também estão articulando para unir sistemas de informações sobre armas e antecedentes criminais. A assinatura da portaria conjunta ocorreu em abril, pelo comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, determinando a união dos sistemas de informações sobre armas de responsabilidade do Exército com o da Polícia Federal (PF). O documento teve a interlocução da Secretaria Nacional de Segurança Pública, que faz parte do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e ficará dentro do Sistema Nacional de Rastreamento (SisNaR), previsto em portaria do Comando Logístico do Exército (Colog) desde 2021, informa matéria do Correio Braziliense.

Com isso, o Sinesp e o Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma), que registra os CACs (informações de colecionadores, atiradores e caçadores) terão os dados compartilhados. Antes, não era possível o Exército não tinha como verificar os antecedentes criminais do solicitante já que o sistema de segurança pública é acessado pelas polícias estaduais e federais para fazer o rastreio de armas. Com a novidade, os agentes federais poderão buscar pelo nome, pela identificação da CAC, numeração da arma, CNPJ, CPF, ter acesso ao Banco Nacional de boletins de ocorrência e o número do registro da ocorrência.

O Município de Paulínia, SP, também tem um Projeto de Lei visando a criação do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI). A ideia é ter um sistema único de segurança pública, interligando as instituições do sistema de justiça criminal e os órgãos de segurança pública, a fim de inibir à violência e criminalidade.

 

Foto: reprodução – Câmara Municipal de Paulínia

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