O avanço da digitalização, conectividade e dispositivos tecnológicos mais compactos e acessíveis, atrelado à demanda crescente por segurança patrimonial, alancou o mercado de segurança privada, especialmente no que se refere ao monitoramento. E os números endossam as razões para esse plus: a segurança eletrônica atingiu a marca recente de R$ 16 bilhões em faturamento no Brasil, impulsionado pela demanda nos setores empresarial e de condomínios residenciais, de acordo com o Panorama da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE).
Na outra ponta, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública destaca que roubos e furtos, principalmente de aparelhos celulares e veículos, somam 1 milhão de ocorrências por ano no território nacional. Eis que a segurança privada sai do papel de mera prestadora de serviços, para fornecedora de soluções robustas para salvaguarda, tornando-se um segmento dinâmico.
Na opinião de Joaquín Aznar, diretor executivo da Verisure Brasil, à CNN, o momento revela que, muito embora seja essencial, a proteção não depende exclusivamente da atuação do poder público, mas também de ações vindas de empresas e pessoas para reduzir riscos, como a aquisição de equipamentos de monitoramento, mas sem negligenciar pontos importantes, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), protocolos e transparência em cibersegurança.
“Essa mudança de comportamento produz efeitos para toda a cadeia produtiva. Fabricantes de equipamentos, desenvolvedores de software, empresas de monitoramento, operadoras de telecomunicações e fornecedores de serviços digitais passaram a atuar de maneira muito mais integrada. O setor de segurança privada tornou-se, na prática, um ambiente de intensa inovação tecnológica”, argumenta o executivo.
Inteligência artificial
Presente cada vez mais no cotidiano, a inteligência artificial (IA) está sendo uma aliada na conversão das imagens feitas por câmeras de segurança em sistemas de monitoramento ativo. Na prática, o isso otimiza todo o processo, já que transforma horas de vídeo em informação útil, bem como o trabalho do monitorador, que pode detectar algum momento considerado importante durante a inspeção na tela, passível de passar despercebido.
Desenvolvida pela startup Noleak e apoiada pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a IA denominada Agatha monitora o ambiente e estabelece o que é considerado normal conforme comportamentos (horários de maior movimento ou veículos estacionados), e caso ocorra uma anormalidade, é emitido um alerta para a avaliação humana.
“A segurança patrimonial tradicional baseia-se fortemente na vigilância humana, mas esse modelo é inerentemente reativo. A visão computacional inverte essa lógica, transformando câmeras em sentinelas inteligentes”, destaca Nicolau Ramalho, CCO da empresa. Ele defende em seu artigo que a IA não substituirá a supervisão humana, mas que atuará de forma integrada, fornecendo capacidades de percepção ampliadas.
Além do acompanhamento em tempo real, a tecnologia, que já foi testada em um distribuidora de energia elétrica de Minas Gerais para evitar roubo de cabos, também realiza a chamada análise forense, quando há a revisão automatizada de grandes volumes de imagens para isolar os momentos em que algo atípico foi registrado.
Foto: AS Photography por Pixabay


