O cenário da segurança pública no Brasil apresenta índices expressivos em questões como a criminalidade, as fraudes e, na outra ponta, o investimento massivo em equipamentos, efetivos e ações entre estados e municípios. Para camadas mais vulneráveis da população brasileira, essa sensação é ainda mais complexa, e a colaboração de centros de pesquisa está levando o entendimento disso às forças de segurança.
Um exemplo é o programa Território Seguro, uma ação de educação profissional vinculada ao Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), dedicada à formação nas áreas de segurança pública, defesa e justiça criminal, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e o governo do Rio Grande do Norte, onde está sendo implantada desde outubro de 2025.
Combate à criminalidade
Com apoio técnico-acadêmico da Escola de Segurança Multidimensional da USP, o programa, que está em sua segunda fase no bairro Felipe Camarão, em Natal, desenvolve um modelo de intervenção policial e estabilização comunitária orientado por dados e evidências científicas.
Na prática, a primeira fase envolveu o esforço integrado das polícias, resultando em 156 prisões, sendo sete lideranças de facções criminosas, zero letalidade e um prejuízo operacional ao crime organizado estimado de R$ 94 milhões. Já a segunda fase, iniciada em dezembro, abrange a comunidade em si por meio de ações de cidadania e justiça, com mediação de conflitos, capacitação, infraestrutura e orientação aos consumidores entre as abordagens educacionais.
Para este ano, estima-se a consolidação de parcerias público-privadas para geração de emprego e renda, além de oportunidades a jovens e promoção de negócios digitais nessa e demais comunidades que participarão da ação. “O programa superou um dos principais gargalos das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) do Rio de Janeiro, que também objetivava recuperar os territórios controlados pelo crime organizado: as intervenções voltadas à estabilização das comunidades têm foco na melhoria do acesso à justiça, proteção dos direitos e mediação”, comenta, ao Jornal da USP, Leandro Piquet Carneiro, coordenador da Escola de Segurança Multidimensional da USP.
Polícias no banco universitário
Uma colaboração continuada entre a Universidade de Brasília (UnB), Polícia Federal e Interpol, reuniu profissionais e gestores de oito países (Argentina, Brasil, Chile, Equador, Guatemala, Peru, Portugal e República Dominicana) para o curso sobre administração pública e sua aplicabilidade na gestão policial.
Técnicas de diagnóstico de problemas, metodologias de intervenção, gestão de riscos, cultura e clima organizacional, competências de liderança, planejamento do desempenho, estabelecimento de metas e indicadores, foram as abordagens das aulas, ocorridas na Academia Nacional de Polícia, em Brasília.
“O curso foi extremamente relevante e aplicado à realidade de cada país. Muitos participantes não tinham sequer noção de práticas de gestão e de governabilidade em segurança pública e muitos novos conhecimentos foram construídos coletivamente”, explica o professor Francisco Coelho, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas (Face), da UnB, que juntamente com a professora Marina Moreira ministraram as dinâmicas.


