Utilizar o celular e estar cansado é uma das combinações mais perigosas ao estar no volante. Para se ter uma ideia, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mais de 600 mil motoristas no Brasil foram autuados por dirigir manuseando o smartphone, ou sete multas aplicadas por minuto. Detalhe, os dados, divulgados pelo Portal do Trânsito, se referem a somente os dois primeiros meses de 2026 (janeiro e fevereiro).
Para sanar tal desafio, empresas de transporte de cargas, por exemplo, estão investindo em monitoramento veicular para checar, além dos citados, comportamentos como excesso de velocidade, curvas e freadas bruscas, resultando em um alerta sonoro imediato aos motoristas e relatórios com imagens aos gestores da frota.
Sensores e câmeras internas são capazes de tal verificação de forma precisa, o que não significa um caráter punitivo ao condutor, mas a contribuição para melhorias operacionais, salvaguarda de vidas e a promoção de uma dirigibilidade mais segura e consciente, como, por exemplo, a identificação de sinais como olhos baixos, bocejos e movimentos de denotam o sinal para parar.
“As imagens também podem ser uma ferramenta fundamental para defesa de motoristas e da empresa em algumas ocorrências. Em caso de acidente, por exemplo, podem ser prova incontestável da responsabilidade de um terceiro”, acrescenta Nabor Cenci, gerente do segmento de gestão de veículos da Orsegups, responsável por esse serviço, ao site Segurança Eletrônica.
Bolsões de descanso
A Lei nº 13.103/2015, conhecida como Lei do Motorista, regulamenta a jornada e os períodos de descanso dos motoristas profissionais. Porém, estar cansado vai além do sono: preocupações, desgaste físico, estresse, calor, alimentação inadequada, excesso de horas na estrada ou falta de pausas reais são ingredientes para tal ocorrência.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), estão previstos 23 novos Pontos de Parada e Descanso nas rodovias federais concedidas (PPDs), com cinco entregues em 2026 e 18 em 2027.
Eis que a tecnologia, mais uma vez, pode ser aliada na gestão de frotas, observando gargalos, revendo processos e cruzando informações de rota, uso dos veículos, manutenção e comportamento de condução.
“Os motoristas precisam ter espaço para comunicar cansaço, atrasos e condições ruins de parada sem que isso seja visto como falta de comprometimento. Os gestores, por sua vez, precisam ter margem para ajustar prazos e rever rotas quando a operação exigir”, endossa conteúdo da frotacontrol, software para tal gerenciamento.


