Já falamos anteriormente aqui em SECURITY do papel da escuta na articulação de políticas públicas que abarquem todas as camadas da sociedade a favor da segurança, especialmente às mais vulneráveis, como juventudes e infâncias. E o assunto é urgente: de acordo o Education Monitor 2026, estudo da consultoria Ipsos com mais de 23 mil adultos em 31 países, entre junho e julho de 2026, apenas 30% dos brasileiros consideram o país seguro aos jovens, 18 pontos percentuais abaixo da média global, que é de 48%.
Eis que entidades despontam com o propósito de mudar essa realidade, envolvendo inclusive a participação de jovens, a exemplo do coletivo Delibera Brasil, organização sem fins lucrativos e suprapartidária que objetiva fortalecer ações de democracia. O mais recente trabalho está na cidade de São Paulo, com o Minipúblico, metodologia participativa que reúne pessoas selecionadas por sorteio para deliberar sobre um tema de interesse público (saiba mais neste link).
Nesta edição, foram selecionados 30 jovens, de 18 a 24 anos, que participaram de uma jornada de quatro encontros, entre os meses de agosto e setembro, para discutir temas como policiamento comunitário e tecnologias aplicadas, como o Smart Sampa, com apoio de especialistas no conteúdo e nas discussões.
O resultado é uma produção coletiva de uma Carta de Recomendações sobre a atuação das polícias após a deliberação, encaminhada aos articuladores centrais no tema, ou seja, poder público, instituições de segurança, organizações da sociedade civil e outros atores envolvidos.
Jovens no centro da conversa
Tal metodologia integra uma pesquisa internacional, também aplicada em realidades de países como África do Sul, Inglaterra e Índia, que investiga meios de engrandecer a democracia por meio da participação das juventudes.
José Veríssimo, cientista político e integrante do grupo no Brasil, destaca que o minipúblico é um método que vai além da apresentação de demandas: “A escolhemos como uma ferramenta de participação capaz de colocar os jovens diante de um tema difícil e permitir que eles construam recomendações e proposições concretas”, resume, ao Observatório do Terceiro Setor.
Enfrentamento da violência na escola
Outra iniciativa promissora está na Bahia, articulada pelo Ministério Público do estado (MPBA). Trata-se do Projeto Saber Melhor, que visa contribuir para o empoderamento dos Conselhos municipais de Educação, com ações de interlocução entre as secretarias, escolas e órgãos que integram a rede de proteção de crianças e adolescentes, além de fomentar o papel das políticas públicas no enfrentamento à violência.
Durante o Encontro Territorial da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) Bahia, a promotora de justiça Severina Patrícia Fernandes, coordenadora do Projeto, destacou a importância de relacionar indicadores sobre violência, como o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com as vivências sentidas pelos estudantes, contribuindo para os gestores públicos compreenderem esses desafios.
“É preciso entender essas realidades para que se haja uma interlocução na rede de proteção e o poder público. É essencial que nós saibamos que as políticas públicas municipais precisam considerar a rede, não apenas isoladamente. É pela comunicação entre os órgãos que a Secretaria de Educação e a escola possam contar com todos os profissionais disponibilizados na rede, em prol da proteção dos alunos”, salientou Fernandes.
Foto: Divulgação – Delibera


