A violação de dados não pode ser considerada uma mera “dor de cabeça”, pois não se restringe à exposição de informações sensíveis, mas a diversos problemas reputacionais e atingem do pequeno empreendimento às grandes instituições.
No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD; saiba mais em como proceder em caso de tal violação) estabelece critérios como necessidade, finalidade, segurança e prevenção para o tratamento de dados pessoais, além de hipóteses para o término e a eliminação dessas informações, ressalvadas quando é permitida por lei essa permanência.
Alex Hinckel, fundador da Proactus Tecnologia, é enfático ao afirmar que as empresas precisam ser sinceras ao se questionarem se estão preparadas para esse incidente e em enfrentá-lo. “Isso não é retórica. É a pergunta mais estratégica que um gestor pode fazer hoje sobre a continuidade do seu negócio”, defende.
E acrescenta: “Um dos maiores equívocos sobre segurança da informação é imaginar que os vazamentos são causados por hackers sofisticados. Na realidade, a maioria tem origem em falhas simples e evitáveis”, destaca o executivo, em artigo para o IMasters.
Setor de turismo
Um estudo das consultorias NordVPN e da Saily identificou que mais de 119 milhões de registros de viajantes foram expostos em 494 vazamentos de dados entre janeiro de 2021 e agosto deste ano.
As informações pessoais estavam disponíveis em setores como companhias aéreas, hotéis, plataformas de reservas, locadoras de veículos e prestadores de serviços turísticos. “O viajante pode usar um serviço por pouco tempo, mas a relação desse serviço com seus dados pode durar muito mais”, comenta, ao CrytoID, Vykintas Maknickas, CEO da Saily.
O especialista endossa que a questão vai além das empresas: muitos usuários utilizam serviços de viagens esporadicamente e não os acessam com frequência, ou ainda não se lembram de todos as plataformas nas quais se cadastraram.
A pesquisa (íntegra neste link) alerta para a importância de políticas claras de retenção, proteção e eliminação de informações pessoais em um setor no qual é comum a contratação de várias prestadoras no decorrer de uma mesma viagem.
O custo do problema
No que refere aos negócios, o vazamento de dados pode causar um prejuízo financeiro muito considerável. O relatório anual produzido pela IBM em parceria com o Ponemon Institute revelou um número astronômico: o custo médio de uma violação de dados em 2026 registrou um crescimento de 12,39%, atingindo a marca global de US$ 4,99 milhões.
De senhas fracas ao ataque em massa por inteligência artificial (IA), as companhias precisam adotar a automação como pilar central de governança e resposta na velocidade exigida pelas novas ameaças digitais, recomendam os especialistas.
Fernando Carbone, Partner na IBM Security Services, acrescenta ainda que o conjunto desse custo envolve não apenas os impactos cibernéticos. “Estamos falando de um custo que envolve mão de obra, multas, sanções e paradas de operações, sem olhar muito para questão de lucro cessante, entre outros elementos intangíveis, de reputação”, enumera, ao TI Inside.
Foto: pch.vector/Magnific


