Já é tradição em novembro as ofertas da Black Friday e fato que muitos sites e estabelecimentos físicos nem esperam a última sexta-feira do mês para anunciar diariamente promoções, descontos e distribuir os famosos cupons. Na outra ponta, não é mais novidade os golpes às pessoas físicas e jurídicas, especialmente no comércio eletrônico.
Dois levantamentos, aliás, chamam a atenção: o primeiro é o da Serasa Experian, mostrando que na semana da Black Friday concentra-se uma intensificação de ameaças no ambiente virtual. Em 2025, foram identificados 604 anúncios falsos, volume 147% superior à média semanal registrada entre os dias 2 e 22 daquele mês. Já os perfis falsos mais que dobraram no período, com alta de 101% em relação à média semanal das três semanas anteriores.
Luís Filipe Morra, gerente executivo de Soluções Antifraude da Serasa Experian, recomenda ao e-commerce investir em tecnologia, monitoramento e a conscientização de times e clientes no propósito de evitar ameaças e reduzir as oportunidades de fraude.
“Os fraudadores acompanham o calendário do consumo e buscam aproveitar a maior procura por ofertas para ampliar o alcance de suas abordagens. Isso reforça que a prevenção precisa acontecer durante todo o ano, mas datas como a Black Friday exigem atenção adicional”, esclarece o executivo.
Aliás, somente no primeiro semestre deste ano, esse tipo de ocorrência cresceu 27,2% na comparação com o mesmo período de 2025, endossa o estudo (mais informações).
Golpes no ano todo; acréscimo no período festivo
Outra pesquisa endossa essa afirmativa: segundo a plataforma Nuvemshop, as tentativas de ataque ao e-commerce chegaram a espantosos índices de 70% entre março e agosto de 2026, com 378 bilhões de requisições.
A empresa também identificou e tratou mais de 26 bilhões de ameaças antes que chegassem às lojas hospedadas na plataforma. O pico ocorreu em agosto, com 221 milhões de tentativas em um único dia, durante o mês da cibersegurança e dois meses antes da Black Friday, informa a Nuvemshop, ao TI Inside.
Thiago Borges, diretor de TI da empresa, alerta que, no afã de atender todos os pedidos em tempo hábil, abre-se a porta para vulnerabilidade, facilitando os fraudadores.
“Os golpes muitas vezes exploram a rotina do lojista, não uma falha na tecnologia da loja. Uma mensagem que imita um banco pode levar ao roubo de credenciais; um comprovante falso pode fazer o empreendedor despachar um pedido sem que o pagamento tenha sido confirmado”, detalha o diretor.
Resiliência cibernética
Páginas falsas, anúncios fraudulentos usando inteligência artificial (IA; confira matéria especial em SECURITY), boletos suspeitos e golpes por vias de pagamento, como o PIX, são algumas das maneiras de sabotar os pedidos e deixar no prejuízo consumidores e empresas.
Já do lado das companhias, o cuidado com a reputação e salvaguarda dos dados robustece o pacote de prevenções que precisam ter. Patrick Smith, CTO para EMEA (Europa, Oriente Médio e África) da Everpure, empresa global de infraestrutura e gerenciamento de dados, explica que a resiliência depende da integração entre a detecção de ameaças e a resposta a elas.
Smith, em artigo ao site Segurança Eletrônica, esse entendimento ajuda a distinguir alertas entre uma notificação e uma atividade maliciosa, reduzindo riscos que possam provocar uma interrupção prolongada nos negócios.
“Para as lideranças, a resiliência cibernética exige mais do que apostar em uma única plataforma para deter todas as ameaças, mas coordenar um ecossistema integrado de segurança, detecção, governança e recuperação”, salienta.
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