Carrefour e Hospital 9 de Julho usam câmeras inteligentes na luta contra o coronavírus

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Tecnologias detectam aglomerações, temperatura corporal e até uso de máscara; painel do Conexão Abese Online também discutiu desafios e soluções em Maringá (PR)

Câmeras de monitoramento térmico e sensores de aproximação estão entre as principais soluções tecnológicas adotadas pelo Carrefour e pelo Hospital 9 de Julho para ajudar a garantir a segurança das pessoas contra a Covid-19.

O assunto foi discutido no último dia 2 de setembro, no painel “Gestores de segurança e as tecnologias aplicadas na pandemia”, realizado durante o Conexão Abese Online, evento de três dias, promovido pela Abese – Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança, que abordou o futuro da segurança eletrônica no país.

Participaram do painel Jerome Mairet, diretor de gestão de riscos do Grupo Carrefour Brasil, Ezio Carvalho, coordenador de segurança patrimonial do Hospital 9 de Julho e Clodoaldo Rossi, secretário de segurança municipal de Maringá, com mediação de Cláudio Procida, especialista em gerenciamento de projetos da Academia Abese.

Jerome Mairet revelou que o Grupo Carrefour investiu cerca de R$ 80 milhões em tecnologias para o combate à pandemia no país. Ele afirmou que o primeiro desafio enfrentado foi o controle de fluxo de pessoas dentro das lojas, o que foi solucionado com o desenvolvimento de um sistema analítico, instalado nas entradas e saídas das lojas, que calcula o nível de lotação interna.

Abese TecnologiaO segundo passo foi a instalação de câmeras térmicas. “Decidimos desde o início fazer a medição de temperatura, algo superimportante, garantia de que ninguém está trabalhando com sintomas de Covid. Nos hipermercados, além de medir temperatura, também detectam a presença de máscaras ou falta delas”, afirmou Mairet.

Ezio Carvalho contou que o Hospital 9 de Julho também investiu em câmeras de monitoramento de alta tecnologia para o combate à pandemia. “A gente começou atacando pelas câmeras. Fizemos a aquisição de 40 câmeras em uma primeira leva, depois, mais 25”, lembrou, ao citar que a pandemia acelerou projetos do hospital, entre eles a aquisição desses equipamentos.

Segundo ele, câmeras inteligentes e térmicas foram instaladas em diversos setores e corredores, inclusive com boa cobertura na área externa do hospital. “Também colocamos melhores controles de acesso, por QR Code. Agora estamos implementando o controle de acesso por biometria junto ao de proximidade, para evitar contato físico com equipamentos.”

Essa preocupação também ocorreu no Carrefour, afirmou Mairet. Entregas de produtos comprados pela internet, por exemplo, passaram a adotar sistema de assinatura eletrônica, para evitar ao máximo o contato entre entregador e consumidor.

Experiência

O diretor do Carrefour disse que a experiência em outros países foi essencial para que o grupo pudesse implementar ações rápidas contra a doença no país. “Não fomos surpreendidos pela pandemia porque temos uma operação em Taiwan, um dos primeiros países depois da China a ser impactado”.

Para Carvalho, do 9 de Julho, e Rossi, de Maringá, seguir exemplos positivos de outras empresas, gestores e países também foram as saídas encontradas. “As medidas foram sendo copiadas dos demais países que tiveram problemas antes”, lembrou Rossi. “Tudo teve que ser feito muito rapidamente.”

De acordo com o secretário municipal, uma das primeiras ações na cidade foi a instituição de um decreto, em meados de março, para garantir o distanciamento social e regular serviços públicos e privados. Ele lembra que, como o poder público não tem a mesma agilidade do privado, muitas vezes é preciso adotar soluções diferentes.

“Se nós tivéssemos uma estrutura de tecnologia para nos apoiar e nos dizer onde as pessoas estão circulando mais, onde estão se aglomerando, muito menos recursos humanos precisariam ser aplicados”, disse, ao citar megaoperações integradas para a fiscalização do descumprimento das normas sobre a pandemia na cidade.

Legado

Os três especialistas afirmaram que os investimentos feitos em tecnologia e outras áreas no combate ao vírus não foram em vão. Para Carvalho, além da aceleração de projetos, a pandemia também mostrou novas formas de se pensar o dia a dia do Hospital 9 de Julho.

O aumento de funcionários que pedem comida por aplicativos, por exemplo, levou à ideia, ainda em discussão, de instalação de armários com comunicação externa para entregas de produtos. Outra ideia, advinda das mudanças de mobilidade, é a instalação de um bicicletário inteligente no hospital. “Todas as melhorias não serão passageiras”, completou.

Jerome Mairet também disse que aquilo que foi implementado durante a pandemia será mantido, mesmo porque muitos processos foram melhorados e outras pandemias podem ocorrer. “Valeu a pena investir”, concluiu.

“Muita coisa agora adotada deve se manter. Esse vírus não foi o primeiro e não será o último”, afirmou Rossi, no mesmo sentido dos demais participantes do painel. “Lamentamos todas as perdas, todas as mortes, tantos prejuízos na área econômica, mas também temos que aprender com isso para outros momentos.”

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