Levantamentos sobre segurança patrimonial e indústria são destaques setoriais recentes no país: um deles é o da consultoria Overhaul, encomendado pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados, Excepcionais e Hospitalares (ABRADIMEX), em que as perdas com roubos de cargas farmacêuticas somaram R$ 283 milhões em 2025.
Ainda segundo o estudo, somente no primeiro trimestre de 2026, a participação dos medicamentos no total de cargas roubadas aumentou de 2,2% para 3,3%, enquanto 40% das ocorrências se concentraram em cinco corredores logísticos (BR-381, SP-348, BR-277, BR-116 e SP-330).
“O roubo de cargas de medicamentos de alto custo deixou de ser um crime patrimonial e passou a representar também um problema de saúde pública”, salienta Marcelo Rodrigues, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp).
Queda de ocorrências de roubos em SP
Muito embora os índices intimidem, em São Paulo o cenário é um pouco mais otimista: segundo dados do próprio Setcesp, entre janeiro e maio deste ano, 28 roubos de cargas farmacêuticas foram registrados, ante 34 casos no mesmo período de 2025, queda de 17,65%, mas o recuo está abaixo da redução de 34,28% calculada no total desse tipo de ocorrência no estado.
“Esses dados ainda não permitem afirmar que houve mudança estrutural no comportamento das organizações criminosas. Embora o número absoluto tenha diminuído, a modalidade continua a apresentar participação relevante entre as cargas visadas”, acrescenta o especialista.
Rodrigues destaca ainda que há décadas, as empresas de transporte rodoviário de cargas investem até 15% de seu faturamento em ações para mitigar os riscos de roubo e os resultados da pesquisa também refletem o endurecimento das forças policiais e da segurança pública nessas ocorrências.
Mais investimentos
Outro levantamento inédito é da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Nexus (íntegra neste link): 62% das empresas do setor relatam aumento nos custos finais devido ao investimento com segurança no transporte e 45% reconhecem que esses gastos gerais em segurança encarecem o custo final dos seus produtos.
Dois números ainda chamam mais a atenção: para 81% dos entrevistados, a insegurança contribui para encarecer ainda mais o Custo Brasil; e 20% já sofreram com roubo ou furto de cargas rodoviárias nos últimos cinco anos, e, na outra ponta, 4% relataram melhora no cenário nos últimos cinco anos.
Aumento do policiamento em áreas industriais como medida governamental prioritária (54%) e políticas focadas no reforço ostensivo da segurança em rodovias e no transporte de cargas (53%) são as percepções de empresários ligados à indústria em relação às políticas públicas, endossa o levantamento da Confederação.
“A segurança patrimonial é um aspecto fundamental das operações industriais. O investimento nessas áreas é considerado essencial para proteger vidas e ativos, além de evitar prejuízos operacionais e reputacionais”, avalia Cassio Borges, assessor especial da presidência da CNI.
Foto: Vladimir Fayl por Pixabay


