Você já evitou sair à noite, ou portar o aparelho celular na rua ou ainda ir a pé desacompanhado, dependendo do trajeto e do horário? Pois 36,5% dos brasileiros já mudaram um percurso rotineiro; deixaram de sair à noite (35,6%) e não saíram com celular por medo de assaltos (33,5%). É o que aponta um relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do DataFolha, divulgado pelo g1, com destaque para a marca de 96,2% dos entrevistados afirmarem ter medo de ao menos uma situação de violência.
Intitulado “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”, o documento descortina outros números, que recaem, inclusive, na aquisição de bens: 26,8% não utilizam mais alianças ou joias e 22,5% declinaram na escolha de um bem com medo de um possível assalto/roubo. Em mulheres e pessoas das classes C e D a experiência da insegurança é ainda mais intensa, reforça o relatório.
Em nota, o Fórum salienta que o crime organizado passou a fazer parte da vida e não apenas um caso isolado. “Para grande parte da população brasileira, interfere nas regras de convivência, altera comportamentos cotidianos, reorganiza a circulação pela cidade e aprofunda a sensação de insegurança”, alerta o comunicado.
Já na opinião do deputado estadual Comandante Dan, presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), essa realidade é mais proeminente em regiões fronteiriças. “No Amazonas, isso é ainda mais sensível por causa das fronteiras internacionais, das rotas fluviais e das dificuldades logísticas. O crime organizado se territorializou na Amazônia e utiliza rios, comunidades isoladas e crimes ambientais como estrutura operacional”, afirma o parlamentar.
Políticas públicas
O Governo Federal lançou neste mês o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com aporte de R$ 11,1 bilhões em investimentos para ampliar ações de inteligência, fortalecer o sistema prisional e integrar a atuação de União, estados e municípios nesse enfrentamento.
Na oportunidade, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou que outrora a segurança pública era somente de responsabilidade exclusiva dos estados. “Isso tem uma explicação histórica, mas o que estamos construindo vai além de um programa. É uma estratégia nacional para devolver o território ao povo brasileiro e não podemos admitir que áreas do país estejam sob controle do crime”, disse.
“Não há política pública eficiente sem adesão ampla. Por isso, estruturamos um modelo que envolve União, estados, municípios e sociedade. Não se trata de um programa de governo, mas de um projeto de País, com investimento robusto e foco na redução da violência”, ressaltou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.


