Um item de segurança que já faz parte da paisagem é o videomonitoramento, com ao menos uma câmera nos perímetros urbanos, tornando-se uma opção precisa, principalmente por conta dos avanços tecnológicos como IA e análise de dados, e também acessível, podendo facilmente ser adquirida e instalada em quaisquer edificações.
Para se ter uma ideia, uma pesquisa da consultoria ThoughtLab, em colaboração com a Axis Communications, fornecedora de soluções no setor, mostra que 70% das cidades globais consideradas “preparadas para o futuro” utilizam esses sistemas em espaços públicos e transportes, integrando dados em tempo real para uma gestão mais eficiente.
Na outra ponta, um incremento está gerando discussões: a disponibilidade de áudio. Alguns especialistas consideram o recurso uma camada a mais de segurança, já que é possível integra-lo ao gerenciamento em tempo real, aumentando a emissão de alertas e respostas imediatas.
Diana Ardila, diretora regional de Vendas do Cone Norte na Axis Communications, comenta que o som pode ser um aliado estratégico na investigação de incidentes, identificando eventos específicos não apenas por imagem. “Os processos forenses podem se agilizar e facilita a tomada de decisões baseadas em evidências. A possibilidade de combinar áudio, vídeo e análise em um único sistema eleva o padrão da segurança moderna, tornando-a mais precisa e proativa”, salienta a gestora ao InforChannel.
E também pode captar em locais de difícil acesso por imagem, como pontos cegos: “O videomonitoramento tradicional se resume a um ângulo restrito, o que deixa uma área crucial desprotegida. O monitoramento inteligente de áudio em 360◦ capta ruídos em todas as direções e leva o foco da câmera para o acontecimento”, acrescenta conteúdo da Avantia, outra empresa do setor.
O áudio e a proteção de privacidade
No Brasil, a instalação de câmeras com áudio dentro de ambientes internos, só pode ser realizada ao se respeitar regras da Constituição Federal e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), ou seja, é necessária uma finalidade legítima, como a segurança patrimonial, não podendo invadir a privacidade de quem circula nesses locais.
Em Mato Grosso, o governo atendeu a um pedido da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) e determinou a substituição dos modelos instalados nos parlatórios do sistema prisional, incluindo a Penitenciária Central do Estado (PCE). O assunto já vem sendo discutido e amparado pelo Grupo de Acompanhamento e Fiscalização do Sistema Prisional, criado pela OAB-MT em janeiro de 2025, que vistoria as condições e garantias legais dentro das unidades prisionais locais.
Para a presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso, a decisão representa um avanço na garantia das prerrogativas da advocacia e do direito de defesa. “O parlatório é o espaço de comunicação entre advogado e cliente, e o sigilo das conversas é uma prerrogativa da advocacia e um direito do cidadão, protegido pelo Código de Ética da OAB e pela Constituição Federal”, afirma.
Já em Bagé (RJ), a prefeitura recentemente instalou 11 câmeras com áudio no Centro de Tratamento aos Animais em situação de Rua (Ctar), impedindo práticas de abandono de cães e gatos, acompanhamento contínuo das atividades, rotinas e movimentações no local.
“É uma resposta às demandas da comunidade e, ao mesmo tempo, uma ferramenta para impedir qualquer tentativa de abandono no Ctar. Infelizmente, essa ainda é uma prática que enfrentamos. Com as câmeras, qualquer pessoa que tentar cometer esse crime será identificada e responsabilizada”, comenta Luana Machado, responsável pela Coordenadoria de Bem-Estar Animal do município (Cbea).


