O Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo) teve papel de destaque durante o Encontro Nacional da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), realizado entre os dias 14 e 16 de maio, em São Paulo, que reuniu lideranças sindicais, especialistas e representantes de diversas entidades para discutir temas estratégicos para o futuro do trabalho.
Com o tema “Unidos pelo Brasil: Justiça, Democracia e Soberania”, o encontro promoveu debates sobre relações trabalhistas, negociação coletiva, tecnologia, Inteligência Artificial e cenário político. Dentre os convidados que participaram dos debates e solenidades estavam o Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o deputado federal André Figueiredo, a ex-ministra e deputada federal Marina Silva, além de representantes do Ministério Público do Trabalho, da Justiça do Trabalho e do poder Executivo federal.
O presidente do Sindpd, Antonio Neto, que também preside a CSB, fez a abertura do evento com um discurso que destacou o significado do encontro para o fortalecimento do movimento sindical e reforçou a importância de uma atuação alinhada às demandas da classe trabalhadora e à defesa da democracia.
Ele abordou os desafios para os trabalhadores e o movimento sindical no cenário atual, conclamando todos os presentes a se unirem em torno das duas pautas trabalhistas que têm dominado o debate nacional: o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho.
“As nossas lutas do próximo período são históricas, e elas exigirão unidade do movimento sindical brasileiro. Precisamos de uma grande mobilização nacional pela redução da jornada sem redução de salário com o fim da escala 6×1. É preciso entender essa agenda como uma necessidade humana. Uma necessidade civilizatória.”
Modernização dos sindicatos
Neto ressaltou também a necessidade de modernização das entidades sindicais diante das mudanças nas relações de trabalho e dos novos formatos de atuação profissional. O dirigente defendeu que as entidades ampliem sua presença nos espaços digitais, fortaleçam a formação de lideranças e construam novas formas de diálogo com os trabalhadores, especialmente com as gerações mais jovens
“O mundo mudou. As relações de trabalho mudaram. A comunicação mudou. Os trabalhadores mudaram. E o movimento sindical também precisa mudar. O movimento sindical precisa se renovar, se preparar, disputar consciências. Precisa ocupar as redes”, afirmou.
Em nome da CSB, Antonio Neto fez questão de agradecer o apoio da Fenati (Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação) e do Sindpd na construção do encontro e destacou a importância das entidades no fortalecimento do movimento sindical.
“São entidades que compreenderam que investir na organização política e sindical é investir no futuro da classe trabalhadora brasileira”, declarou.
Diretores do Sindpd acompanharam a programação ao longo dos três dias do encontro, participando de debates voltados aos desafios contemporâneos das relações de trabalho e ao fortalecimento da atuação sindical.
Negociação coletiva e o exemplo do Sindpd e da Fenati
Abrindo a programação de painéis, o debate “Negociação coletiva na prática: estratégia, dados e preparação” contou com a participação do presidente da Fenati e secretário-geral do Sindpd, Emerson Morresi; o desembargador do Trabalho Dr. Rafael Pugliese; o advogado especialista em negociações coletivas Dr. Clovis Renato; e a advogada e diretora jurídica do Sindpd, Dra. Augusta Raeffray, que foi responsável pela mediação.
Emerson Morresi destacou as experiências práticas do Sindpd e da Fenati em processos de negociação coletiva e os desafios enfrentados pelos sindicatos na conquista de melhorias para os trabalhadores representados. Desde 2011, por exemplo, o Sindpd garante jornada de 40 horas para os profissionais de TI de São Paulo por meio da Convenção Coletiva de Trabalho, que hoje é considerada uma das mais avançadas do país.
“O estudo de caso do Sindpd canaliza tudo o que fizemos para a categoria. A parte de resistência desse processo começou quando não ‘fechamos’ a negociação coletiva, o acordo com o setor patronal. Mudamos isso tendo posicionamento, autoridade, respeito e resistência”, afirmou.
Segundo Morresi, há necessidade de “uma atuação mais estratégica e conectada às novas realidades do mercado”, com acordos de negociação coletiva cada vez mais personalizados e adequados às especificidades de cada categoria, setor e modelos de contratação.
Tecnologia no sindicalismo
A tecnologia também foi destaque na programação com o painel “Compliance e LGPD na era da IA: cuidados e oportunidades na prática sindical”, dedicado aos impactos das novas tecnologias no universo sindical.
O debate reuniu a diretora regional de Compliance e Privacidade de Dados da Nissan Motor, Marisa Peres; o especialista em Forense Digital e Segurança da Informação Leandro Moralles; e o fundador do Grupo GenIA, Carlos Augusto.
A discussão trouxe reflexões sobre Inteligência Artificial, proteção de dados, segurança da informação e os desafios do uso de novas tecnologias nas entidades sindicais. Entre os temas abordados estiveram riscos relacionados a vazamentos de dados, ameaças digitais e a necessidade de adoção de mecanismos de proteção e uso ético da IA.


