Um levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com base no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, mostra que o Brasil registrou, no primeiro trimestre de 2026, o menor número de homicídios dolosos e latrocínios (roubos seguidos de morte) dos últimos dez anos para o período de janeiro a março.
Para tal índice, a pasta reforça a importância de estratégias de enfrentamento à criminalidade, com maior integração entre forças de segurança, uso intensivo de inteligência e atuação coordenada em todo o país. Mesmo com números favoráveis, a segurança é ainda uma das grandes preocupações dos brasileiros, o que aumenta ainda mais a relevância em investimentos no setor.
Regulamentação do Estatuto da Segurança Privada
Um deles foi apresentado neste mês, com a assinatura do presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, do decreto de regulamentação do Estatuto da Segurança Privada (mais neste link). A medida estabelece procedimentos relativos à autorização, ao controle e à fiscalização dos serviços de segurança privada e de segurança de instituições financeiras.
Para Lula, esse avanço alimenta o estabelecimento da dignidade a esses profissionais. “Vamos dar a civilidade que todo trabalhador precisa, dar a cidadania para andarem de cabeça erguida, não sendo tratados como clandestinos”, afirmou o presidente.
Entre os destaques está a exigência de provisão financeira ou seguro-garantia para a operação das empresas; regras mais rígidas para circulação de carros-fortes (itinerários e horários) e prazos definidos para a comunicação de crimes; controle de armamentos e a criação de um “compromisso de conduta”, que permite a suspensão de processos punitivos mediante o cumprimento de obrigações e pagamento de multas.
“Vamos nos aproximar ainda mais das forças de segurança pública, oferecendo ajuda com tecnologia de ponta e profissionais capacitados para auxiliá-la”, endossou o presidente da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores, Jeferson Furlan Nazário.
Mais tecnologia
Estados e municípios também estão investindo em proteção. Em São Paulo, por exemplo, o governo do Estado investiu R$ 161,5 mi em segurança pública, com aportes à Polícia Civil Estadual, novas viaturas, equipamentos e armamentos.
Uma das tecnologias contratadas vem da Tag da Prime Benefícios, especialista em gestão de frotas, para rastreabilidade de veículos da Polícia Civil, utilizando o sistema RFID (Identificação por Radiofrequência). Instalada no para-brisa da viatura, essa etiqueta (tag) permite o controle de transações, aumentando a transparência e a confiabilidade dos processos.
“É uma grande aliada estratégica para ampliar a segurança de nossa população. A tag rastreia veículos em tempo real, o que permite acompanhar a equipe da Polícia Civil durante as operações e aumentar a segurança não só da população, como da nossa corporação”, comenta Edson Minoru Nakamura, diretor de Frota da Polícia Civil do Estado de São Paulo, ao site Segurança Eletrônica.
Já outra tecnologia vem da Pax (mais informações), startup brasileira de Inteligência Artificial (IA) para forças de segurança pública. Segundo o fabricante, diferentemente de sistemas que incorporaram IA em ferramentas já criadas, a plataforma se conecta com câmeras em pontos críticos das cidades, e uma camada de IA organiza os dados do mundo real (veículos, pessoas, locais, boletins de ocorrência) em uma rede de inteligência continuamente atualizada, gerando alertas. As consultas ficam registradas e o acesso é atribuído a um usuário identificado, garantindo transparência e auditabilidade.
“O gargalo das investigações está nos dados. Construímos a Pax do zero para organizar essas informações e pistas do mundo físico e torná-los úteis em tempo real. O policial decide; a plataforma multiplica a eficiência”, reforça diz David Peixoto, fundador e CEO da companhia.
Em sua primeira implantação em larga escala, em Luziânia (GO), a Pax ajudou a reduzir em 27% os crimes violentos, dobrando a efetividade policial e elevando em 59% a sensação de segurança da população em seis meses. Ao longo do último ano, as forças de segurança que usam a tecnologia da Pax já esclareceram mais de 2 mil casos criminais em mais de 30 cidades brasileiras, informa a empresa, ao Terra.


