Antes, a proteção de dados se resumia a senhas fortes e um bom antivírus. Hoje, esse incremento está mais robusto: a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) contabiliza o salto da arrecadação do Seguro Cibernético de 880% em apenas cinco anos, passando de R$ 20,7 milhões em 2019 para R$ 203,3 mi em 2023, e atualmente, está na casa R$ 240 milhões anuais.
Em números, entre janeiro e abril de 2026, as seguradoras desembolsaram R$ 30 milhões em indenizações (saiba mais aqui), alta de 253,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, a arrecadação da modalidade cresceu 71,1%, alcançando R$ 134,6 milhões em prêmios.
Para orientar entidades supervisionadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), o órgão disponibilizou o Manual de Orientações sobre Segurança Cibernética (download neste link), reunindo diretrizes na implementação de requisitos mínimos de segurança cibernética previstos na regulamentação vigente.
Educação digital
Para se ter uma noção, 60% das empresas brasileiras já sofreram incidentes por bloqueios de dados, de acordo com informações do Índice Global de Proteção de Dados, divulgados pelo Valor, cenário que causa prejuízos não somente financeiros, mas reputacionais, independentemente do porte da corporação.
Muito embora os instrumentos de tal salvaguarda sejam essenciais, especialistas destacam a importância do fator humano na educação no ambiente digital, além da regulação equilibrada da inteligência artificial (IA), prevenção e cooperação entre governos, seguradoras e companhias.
“Antes da emissão de uma apólice, as seguradoras checam se as empresas adotam controles mínimos, como autenticação multifator, monitoramento de ameaças, proteção de dispositivos e treinamento dos colaboradores”, salienta, durante evento da Association of British Insurers (ABI), Michelle Hughes, líder global de produtos de Linhas Financeiras da QBE Insurance, multinacional australiana de seguros, salientando que o seguro não pode se limitar a uma compensação financeira após um incidente.
IA e segurança
É inegável que a IA facilitou os processos corporativos, entretanto, o cuidado com essa massa de informações sensíveis tornou-se também uma dor de cabeça, especialmente no que se refere ao cumprimento de regras de proteção de dados.
Segundo o relatório da consultoria Check Point, entre 87% e 93% das organizações globais registram pelo menos uma interação mensal de alto risco com ferramentas de IA generativa, além de a quantidade de prompts contendo dados corporativos, pessoais ou regulados dobrou em um ano, representando hoje uma em cada 25 interações.
Na opinião de Chris Konrad, vice-presidente Global Cyber da consultoria World Wide Technology (WWT), políticas de segurança por si não resolverão desafios como a Shadow AI (saiba mais em SECURITY).
“Os funcionários continuarão utilizando IA para ganhar produtividade, antes mesmo de as equipes de segurança saberem que essas ferramentas estão presentes. As organizações precisam compreender quais aplicações estão interagindo com seus ambientes e a capacidade de interceptar esse tráfego não autorizado”, alerta o executivo, ao Segs.
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