O setor de monitoramento de segurança eletrônica atravessa a transformação mais profunda de sua história. O que antes era uma atividade essencialmente passiva — baseada na observação de telas e na reação após o incidente — converte-se agora em uma disciplina de análise preditiva. No centro dessa revolução está a Inteligência Artificial (IA), tecnologia que permitiu aos sistemas não apenas enxergar, mas interpretar e antecipar riscos com uma precisão sem precedentes.
Segundo o especialista em inteligência de negócios e inovação, Emerson Douglas Ferreira, CEO e fundador da Meeting Soluções Estratégicas, a mudança é estrutural. “A IA no monitoramento gerou um novo paradigma. Saímos de um posicionamento reativo para uma proteção inteligente e preventiva, que melhora a eficiência da tecnologia e reduz custos operacionais significativamente”, afirma o executivo, que é CEO da Meeting Soluções Estratégicas.
Do reativo ao preditivo: a Era da vigilância ativa
A transição do monitoramento passivo para a vigilância analítica preditiva permite que as equipes de segurança atuem em segundos, eliminando o intervalo de minutos que frequentemente separava a infração da resposta. Essa agilidade é sustentada por três pilares algorítmicos fundamentais: o reconhecimento facial, a detecção de comportamento anômalo e a identificação automática de placas (LPR).
No reconhecimento facial, a comparação em tempo real com bancos de dados permite identificar imediatamente funcionários, visitantes ou pessoas procuradas. “Se alguém não autorizado ou suspeito for detectado, o sistema gera um alerta instantâneo. Imagine um aeroporto onde um indivíduo procurado é identificado logo na entrada; a equipe é acionada antes mesmo que ele circule livremente”, explica Ferreira.
Já a detecção de comportamento anômalo utiliza a visão computacional para identificar padrões de movimento fora do comum, como correr em áreas restritas ou permanecer tempo demais em locais sensíveis. “Ao invés de esperar que o sinistro ocorra, o sistema antecipa comportamentos que possam se tornar uma ameaça”, pontua o especialista.
Eficiência operacional e o fim dos falsos positivos
Um dos maiores gargalos das centrais de monitoramento sempre foi o “falso positivo” — alarmes disparados por animais, mudanças de luminosidade ou condições climáticas. Esses eventos geram sobrecarga, custos de deslocamento desnecessários e fadiga nas equipes.
A IA, contudo, trouxe o discernimento necessário para filtrar o ruído. Algoritmos modernos já conseguem diferenciar um invasor tentando pular um muro de um animal de estimação vagando pelo jardim. “Hoje, os falsos positivos estão em queda porque dispomos de análise de vídeo inteligente e protocolos de gerenciamento que previnem que eventos sem importância alarmem a central”, destaca Emerson Ferreira.
Para o autor, a integração tecnológica deve ser acompanhada de uma gestão rigorosa. “É fundamental ajustar a sensibilidade e o posicionamento dos sensores para evitar interpretações erradas. O emprego de sensores combinados, como infravermelho e vídeo, aumenta drasticamente a confiabilidade do sistema”, recomenda.
Mercado em expansão e desafios cibernéticos
Os números confirmam a adesão em massa. De acordo com dados setoriais, 64% das soluções de segurança eletrônica no Brasil já integram algum nível de IA, movimentando cerca de R$ 14 bilhões em 2024. No entanto, o progresso digital traz consigo novas vulnerabilidades.
A conectividade dos sistemas abre portas para ataques cibernéticos, exigindo que a segurança física caminhe lado a lado com a segurança da informação. “A tecnologia nos torna mais precisos, mas também exige atenção constante com a privacidade e atualizações contínuas de segurança digital”, alerta Ferreira.
A automação inteligente elimina etapas humanas burocráticas, permitindo que os operadores foquem apenas em situações críticas. Sistemas avançados já são capazes de acionar barreiras físicas de bloqueio ou notificar automaticamente as autoridades policiais sem intervenção manual.
Para Emerson Douglas Ferreira, o futuro reside no equilíbrio. “O desafio atual dos usuários é o investimento inicial e a atualização constante dos algoritmos. Procura-se o ponto ideal entre a sensibilidade da detecção e a filtragem eficiente para que nenhuma ameaça real seja ignorada”, conclui.
Com mais de três décadas de atuação em TI, Ferreira reforça que a transformação digital na segurança não é apenas sobre hardware, mas sobre a capacidade de tomar decisões baseadas em dados e inteligência preditiva, garantindo um ambiente mais seguro para empresas e condomínios em todo o país.


