Já falamos em SECURITY sobre a ergonomia no trabalho dos agentes de segurança, obedecendo a Norma Regulamentadora 17 (NR-17; mais aqui) e como esses trabalhadores devem evitar lesões físicas e controlar as condições emocionais em sua jornada.
Isso impacta os profissionais que atuam na direção de viaturas, pois trafegam por horas seguidas e ainda em condições tensas, como em uma perseguição policial, por exemplo. Em números, pode-se enfrentar turnos de serviço de 12 ou até 24 horas, conforme a escala de cada corporação.
Resultado: a postura ergonômica do motorista reverbera diretamente na saúde, e um posicionamento inadequado do corpo por longos períodos pode causar dor lombar, fadiga muscular e até problemas crônicos na coluna.
“O policial permanece embarcado por longos períodos, utiliza diversos equipamentos simultaneamente e precisa responder rapidamente a situações emergenciais”, comenta Jonatas Matos, presidente do Grupo Raytec, empresa especializada em transformação automotiva.
Interface entre condutor e veículo
Comportar uma pessoa em um carro não se restringe a um banco confortável ou incrementos para melhorar a postura, mas repensar toda a estrutura veicular. Matos ressalta ainda que avaliar isso significa aumentar a eficiência operacional e reduzir o desgaste físico.
Um conjunto de fatores que é levado em conta vem do princípio DVI (Driver-Vehicle Interface, do inglês para interface entre condutor e veículo), em que há estratégias para construir a posição dos comandos, visibilidade, postura ao volante e a facilidade de acesso aos equipamentos utilizados durante a operação.
“Durante muito tempo, a transformação automotiva foi vista como uma adaptação técnica do veículo. Atualmente, considera-se também quem está por trás do volante, ou seja, uma viatura eficiente é a que permite ao policial atuar com mais segurança, conforto e agilidade”, destaca o executivo.
Direção segura a todos os motoristas
Os acidentes de trânsito no país, especialmente nos grandes municípios, estão virando um tema de saúde pública. Para se ter uma noção, 59% dos pacientes que se internaram no SUS por conta de acidentes terrestres moravam em cidades com mais de 80 mil habitantes e 54% dos óbitos foram em localidades acima desse número, apenas em 2025.
Já dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde mostraram 37.150 pessoas perderam a vida no trânsito no Brasil em 2024, uma média de 101 mortes por dia. O país também registra cerca de 160 mil feridos graves por ano.
Para buscar soluções, a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) lançou, em setembro, a Coalizão de Cidades pela Redução de Mortes e Lesões no Trânsito, iniciativa que reúne governos locais e organizações parceiras para fortalecer a segurança viária como uma agenda permanente.
“A segurança no trânsito no Brasil é uma epidemia que precisa ser enfrentada de forma estratégica pelos municípios, já que sofrem as consequências. A sobrecarga chega diretamente à rede municipal de saúde, com internações prolongadas e pressão sobre hospitais”, salienta Dário Saadi, prefeito de Campinas (SP) e presidente da Comissão Permanente de Saúde da FNP.
Foto: Claudio Almeida


