A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa para se tornar o motor de uma revolução tecnológica global. No entanto, essa evolução traz consigo um “custo invisível” que desafia gestores de infraestrutura: o consumo energético. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), uma única consulta via IA consome dez vezes mais eletricidade que uma busca tradicional. Até 2030, os data centers podem representar 3% do consumo global de energia.
Diante desse cenário, o modelo tradicional de refrigeração por ar (air cooling) atingiu seu limite técnico. Luis Cuevas, diretor de Secure Power e Negócios de Data Centers da Schneider Electric no Brasil, alerta que o legado atual das infraestruturas não suporta as cargas térmicas geradas pelas novas GPUs.
“A refrigeração líquida exerce um papel crítico, podendo ser até 3 mil vezes mais eficaz do que o ar na redução de calor, justamente por capturar a energia térmica na origem, no nível do componente”, explica Cuevas.
O desafio da densidade energética em data centers
Atualmente, é comum encontrar racks operando entre 40 kW e 100 kW, volumes considerados impraticáveis para sistemas de ar. A próxima geração de arquiteturas, como as baseadas em NVIDIA, deve alcançar 240 kW por rack, com o setor já mirando o horizonte de 1 MW.
Para o especialista, a transição não é apenas uma escolha, mas uma necessidade de sobrevivência operacional.
“Diferentemente das CPUs tradicionais, as GPUs concentram cargas térmicas intensas e localizadas. A refrigeração líquida é um dos poucos caminhos viáveis para acomodar o crescimento da IA. Sem isso, será impossível acompanhar o progresso das densidades energéticas”, afirma o diretor.
Sustentabilidade e Eficiência Hídrica
Além do desempenho, a segurança ambiental é um pilar da nova infraestrutura. A refrigeração líquida pode reduzir o consumo de energia entre 30% e 60%. Em algumas arquiteturas, é possível até eliminar o uso de água, superando as soluções adiabáticas tradicionais.
Luis Cuevas destaca que a temperatura do fluido de entrada é um parâmetro vital. Segundo ele, elevar essa temperatura em 20°C pode enxugar o consumo energético em cerca de 40% em sistemas não adiabáticos.
“A sustentabilidade real depende de decisões inteligentes de projeto e de uma operação bem planejada. Instalar a refrigeração líquida é apenas o primeiro passo”, ressalta.
Planejamento estratégico e parcerias
A migração para sistemas líquidos exige que a infraestrutura física e o planejamento de TI caminhem juntos para evitar gargalos que deixem hardwares ociosos. Cuevas defende que parcerias entre fabricantes, especialistas em refrigeração e integradores são fundamentais para o sucesso.
“Na era da IA, a refrigeração deixou de ser um elemento de apoio invisível para se tornar um habilitador estratégico da inovação e uma fonte de vantagem competitiva”, conclui Luis Cuevas.
Com projetos flexíveis e parcerias sólidas, como as colaborações entre Schneider Electric e NVIDIA, o setor busca construir infraestruturas resilientes, capazes de sustentar o futuro digital sem comprometer o planeta.


