Roubo de cargas e seguro de transportes

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Por Ricardo Labatut*
Temos visto muitas coisas boas acontecendo nos seguros de transporte, e que são devidamente expostas nas mídias especializadas, porém, as nossas falhas, infelizmente não recebem o mesmo tratamento, o que entendo que deveriam contribuir para trazer à luz uma reflexão, visando criar um ambiente propício para essas correções e consequentemente nosso aprimoramento, como é natural com tudo que fazemos e nos envolvemos.
Muito se fala no Roubo de Cargas e o impacto que isso traz na sinistralidade nos seguros de transportes. Não vou fazer aqui apologia ao Roubo de Cargas, mas como podemos atribuir somente a esses eventos a culpa pela sinistralidade se o mercado segurador decidiu abrir mão de receita de prêmios ao admitir a existência das DDRs e mais recentemente da “Estipulação de apólice no Rctr-C” ?
Com esse sistema, nosso mercado passou a trabalhar em prol, única e exclusivamente, dos interesses dos Embarcadores e dos Corretores que atendem à esses Embarcadores, na medida em que promovem juntos, a interferência na negociação comercial entre os transportadores com seus clientes, fazendo com que os transportadores percam receitas e coberturas securitárias, e fazendo com que nosso mercado de Seguros deixe de arrecadar uma boa fatia de prêmio que seria convergido para o ramo RCF-DC (mais afetado), como também para o RCTR-C, que embora ainda com uma pequena arrecadação pela Estipulação também sofre com sua perda de receita.
Então me parece dogmático, os discursos sobre o tema, atribuindo ao roubo de carga a responsabilidade pela alta sinistralidade, uma vez que Sinistralidade é a relação entre Sinistro x Prêmio:
O Sinistro como sabemos tem oscilado ao longo dos anos, e tem uma tendência de aumento pelo próprio desenvolvimento do setor produtivo, pois quando uma economia cresce, tudo cresce, inclusive a marginalidade. O empenho é que esse aumento seja cada vez menor em relação ao crescimento desse mesmo setor produtivo.
O Prêmio, naturalmente, é o que arrecadamos com a venda de apólices.
Se estamos arrecadando cada vez menos, e natural que em relação aos sinistros verificados, haja um aumento nesse percentual.  O que fazer?  Claro que deveríamos aumentar a receita de prêmios e procurar diminuir os sinistros cada vez mais……mas infelizmente, nosso setor de seguros vem simplesmente “rasgando dinheiro” sem uma justificativa coerente, pois, se DDR e a Estipulação tivessem pelo menos justificativas técnicas, até daria para “tentar” entender, mas nem isso existe!!!, e como também não se encontra justificativa “comercial” alguma, o que podemos esperar?
Portanto, entendo que ouvir um Segurador reclamando de sinistralidade, é uma forma dele esconder seus próprios erros… pois é mais fácil colocar a culpa no bandido!
*Ricardo Labatut é Corretor de Seguros
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